Curitiba Uma área de quase três hectares de preservação ambiental permanente, no bairro do Bigorrilho, a cerca de 200 metros do Parque Barigui, em Curitiba, está sendo desmatada para construção de casas e áreas de paisagismo. A denúncia foi feita pelo técnico em reflorestamento Bo Stridsberg. O sueco mora há menos de um mês na região, mas não se conforma em conviver com as depredações. Ele contou que há dez dias, cerca de 500 caminhões de terra foram colocados no local para terraplanagem e aterro. As raízes das árvores estão sendo gradativamente soterradas. O córrego de água pluvial foi encanado. ''As árvores estão morrendo. O que está acontecendo aqui é a depredação de uma microbacia que previsava ser preservada.''
O sueco já trabalhou com florestas na Ásia, África, Estados Unidos e Canadá. ''Aqui as pessoas são mal informadas e têm medo de denunciar'', apontou. Stridsberg levou a denúncia à Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS). O ambientalista Clóvis Borges, classifica a depredação na região de ''desastre ambiental''. ''É uma grota com árvores nativas e que estão sendo destruídas com um único impulsionador: a especulação imobiliária.
Ele cobra uma política ambiental municipal para a realização de permutas de áreas de preservação ambiental por outras da Prefeitura de Curitiba. ''Temos que preservar esses locais. Áreas naturais de bom estado estão desaparecendo rapidamente na Capital. Estão apostando na substituição de áreas naturais importantes como essa por gramados e áreas urbanizadas'', disse. Borges afirmou ainda que 95% das espécies de fauna nativas de Curitiba estão desaparecendo por causa da destruição do habitat natural.
O diretor do departamento de Pesquisa e Monitoramento Ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Edison Reva, informou ontem que os proprietários do condomínio foram autuados e a obra foi embargada. Eles terão que pagar multa de R$ 20 mil, além de fazer um plano de recuperação ambiental da área, retirando toda a terra colocada no aterro e plantando cerca de 200 árvores depredadas. A autuação foi efetivada no último sábado, depois de um acordo que não foi cumprido. ''O bosque que há no local é de fato de preservação ambiental.''

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