"Afaste-se". A orientação um tanto quanto inusitada gravada em uma placa de metal e fixada em uma das árvores do fundo de vale do Córrego dos Tucanos, na Rua Bélgica (zona sul de Londrina), intriga quem passa pelo local e preocupado moradores do Conjunto Jerumenha. A reclamação é de que há pelos menos quatro meses o barraco foi construído e serve de abrigo para quatro rapazes. Ainda segundo a comunidade, eles consomem drogas e recebem "visitas" constantes de pessoas de fora do bairro. No ano passado, a prefeitura realizou a desapropriação da área e retirou 44 famílias que ocupavam a área irregularmente. Havia a promessa de revitalização do espaço, que não se concretizou.
A reportagem da FOLHA esteve no local no final de semana e constatou que pelo menos duas pessoas estavam dormindo no barraco. Rodeado por mangueiras, o espaço é pequeno, com mato alto e muita sujeira. A casinha de madeira tem no máximo 2 metros de comprimento por 1 de largura. Os galhos das árvores são utilizados como varal, onde algumas peças de roupa se amontoam. No fundo, uma mesinha com utensílios e as cadeiras.
Angustiada com a presença dos "novos vizinhos", que passam pelas casas do bairro pedindo dinheiro para comprar drogas ou comida, a agente de saúde Márcia Quitano conta que fez reclamações para órgãos públicos. "Estamos revoltados porque aqui se transformou em um ponto de consumo de drogas e vai saber lá o que mais. Tem vizinho que já viu casais protagonizando cenas de sexo aí'', afirma a agente, moradora do bairro há mais de 40 anos. "Não temos mais paz para sair de casa e não podemos nem mesmo deixar nossa filha de 6 anos brincar os os coleguinhas em frente de casa", acrescentou Hélio Theodoro, marido de Márcia.
A técnica de enfermagem Sueli da Silva, também moradora do bairro há mais de 40 anos, comenta que a falta de iluminação no entorno do fundo de vale aumenta a apreensão dos moradores. "Já que a prefeitura tirou as famílias que viviam muito bem aí e em harmonia com a gente há anos, então que cuide agora da área de preservação'', destacou. "Tem que retirar esse pessoal, encaminhar algum lugar decente e fazer um limpeza da área."
O auxiliar de serviços gerais aposentado, Antônio Garcia, acrescenta que apesar de considerar o bairro tranquilo e nunca ter sido assaltado, já se sente bem mais inseguro ao caminhar pelas ruas e evita passar perto mocó. "Não dá mais pra ficar assim. Era melhor que não tivessem tirado as famílias do que abandonarem isso aqui do jeito que está'', salienta.

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- Famílias à espera de moradias

- Sem prazo para revitalização da área

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