Área de preservação impede progresso em Campo Magro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de novembro de 2000
Dimitri do Valle De Campo Magro 
A atmosfera bucólica de Campo Magro esconde um drama. Ao contrário de outras cidades da Região Metropolitana de Curitiba, o município enfrenta problemas para atrair investimentos empresariais. A explicação está na geografia e na legislação que protege a natureza. O território fica na bacia do Rio Passaúna, que fornece 40% da água consumida pela população da Capital. Toda região é considerada Área de Preservação Ambiental (APA).
Temos certas dificuldades de colocar empresas no município por causa da APA do Passaúna, reconhece o chefe de gabinete da prefeitura, Alcione Gaspar Pinto. O rigor da legislação impede até mesmo que a cidade tenha o seu próprio cemitério. Os restos orgânicos humanos podem contaminar o lençol freático (reservas de água no subsolo). Em quatro anos de existência, o antigo distrito de Almirante Tamandaré ainda não tem uma agência bancária. O transporte coletivo depende de Curitiba.
Nas últimas duas semanas, moradores de Campo Magro foram pegos de surpresa com a alteração dos telefones. O gerente de empresa Gilberto Hartmann conta que a Telepar não colocou uma gravação para informar os novos números. Ninguém sabe como encontrar a gente, diz. Além disso, quando querem discar para Curitiba os moradores são obrigados a acionar uma das três operadoras que fazem interurbanos no País.
Irritados, os moradores formaram uma comissão, da qual Hartmann faz parte, que está defendendo que parte do município, onde moram 7 mil pessoas (um terço dos habitantes), seja anexada a Curitiba. É um município dormitório. Não vamos conseguir trazer mais indústrias para cá por causa da legislação ambiental. Quem tem de arcar com o ônus é Curitiba, onde todos os moradores fazem suas compras e acabam gerando impostos.
O chefe de gabinete da prefeitura, Alcione Gaspar Pinto, discorda da posição. Achamos que é um movimento que não tem conhecimento do que está fazendo, afirma. Pinto apresenta realizações da atual administração para reforçar que a cidade funciona. Todos os bairros são servidos por linhas do transporte coletivo integrado de Curitiba; nossas 11 escolas municipais têm transporte gratuito; o Banco do Brasil deve inaugurar até o final do mês a sua agência. Ele compara: se Curitiba serve de modelo para as capitais, Campo Magro é modelo para a região metropolitana.


