Mauá da Serra – A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) - Monte Sinai, em Mauá da Serra (Centro-Norte), já foi referência em recuperação de animais silvestres e em pesquisas ambientais. No entanto, com o repasse de verbas estaduais interrompido pela prefeitura, desde setembro de 2012, vários projetos de parcerias com universidades foram paralisados e até a alimentação dos animais está comprometida. A estrutura localizada em uma área de 309 hectares no km 302 da BR-376, na Serra do Cadeado, sofre com a ação do tempo.
O presidente do Instituto Monte Sinai, o advogado Júlio Cezar Christoffoli, acusa o Município de não fazer o repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS Ecológico). O repasse do governo federal destinado à RPPN corresponde a 27,66% de todo o ICMS recebido pelo município. Em 2008, antes do início das pesquisas, o valor repassado era de R$ 19 mil por mês. Atualmente, a quantia bloqueada é de R$ 50 mil mensal.
Nos termos de criação da RPPN, Christoffoli fez a doação perpétua da área e ficou definido que o repasse do ICMS seria dividido em partes iguais entre o Instituto Monte Sinai e o Município. Segundo o advogado, a prefeitura alega que o repasse foi interrompido porque o Instituto teria cumprido os objetivos de forma parcial. "Os fiscais da prefeitura que vieram aqui sequer se prontificaram em conhecer a unidade. Considero parcial esta fiscalização, não o cumprimento dos objetivos", atacou.
A Unidade de Conservação abriga um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), que cuida de animais atropelados ou apreendidos de 80 municípios da área de abrangência da 2ª Companhia da Polícia Ambiental, com sede em Londrina. Atualmente, os viveiros acomodam cerca de 200 aves, jabotis, um macaco-prego e um filhote de jaguatirica. Os animais que recebiam dieta específica hoje são alimentados com doações de sobras de frutas de supermercados impróprias para o consumo humano.
"São frutas passadas. Retiramos as partes mais apodrecidas, mas a qualidade não é a ideal", admitiu o biólogo Willian Cunha.
Várias árvores frutíferas foram plantadas na propriedade, mas os frutos não dão conta de alimentar todos os bichos. O quadro de funcionários também teve de ser desmanchado. Apenas dois colaboradores foram mantidos. A veterinária que prestava serviços hoje atende de forma voluntária apenas pelo telefone. "Nos viramos como podemos. É uma tristeza ver um projeto modelo se desmanchar assim", lamentou Cunha.
De acordo com a Polícia Ambiental, a manutenção da RPPN é de fundamental importância para a reinserção de animais silvestres na natureza. "Eles absorvem quase que a totalidade da demanda regional e os resultados são muito positivos", destacou o soldado André Ferronato. "Infelizmente não temos muitas opções de onde levar os animais. Se este centro fechar as portas, a fauna vai padecer". Criado em 2007, o Cetas atendeu cerca de 2 mil animais que, após recuperados, são reintroduzidos em seus locais de ocorrências ou enviados a fiéis depositários – zoológicos, cativeiros e comerciantes cadastrados no Ibama. O Paraná só tem mais um Cetas, em Tijuca do Sul, (Região Metropolitana de Curitiba). Além da RPPN, a 2ª Companhia conta com outra a Praça das Aves, em Apucarana, mas a capacidade dos viveiros é bem inferior.

mockup