A paisagem original do Paraná já foi largamente dominada por florestas, que cobriam 160 mil quilômetros quadrados, o correspondente a 85% do território do Estado. Os 15% restantes eram várzeas e campos. Nesse cenário, as florestas de araucárias tinham destaque especial, ocupando 73 mil quilômetros quadrados, ou 37% da área do Estado. Hoje, estimativas de ambientalistas e órgãos governamentais apontam para uma triste realidade: as matas reduziram-se a apenas 8,5% do território paranaense, num total de 17.305 quilômetros quadrados. Já as araucárias, embora não haja estudos atuais, estima-se que apenas 1% resistiu à devastação.
‘‘Estamos em uma situação de final de festa’’, compara o secretário executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Ricardo Borges, ressaltando que o Paraná, por sua diversidade de climas e solos, é privilegiado em quantidade de espécies de flora e fauna. ‘‘O problema é que o Estado foi destruído, e o que temos são resquícios que precisam ser preservados.’’
Os diferentes ambientes contribuíram para a formação de diferentes florestas, como a atlântica na região da Serra do Mar, a araucária nos planaltos da região Centro-Sul e a mata subtropical na região Oeste (Parque Nacional do Iguaçu). Dos remanescentes dessas grandes florestas, 40% estão concentrados, hoje, em áreas protegidas no litoral e no Oeste. Outras áreas, como parques e reservas estaduais, constituem pouco mais de 1% da área do Estado. O restante das florestas nativas é constituído por reservas particulares, em geral pequenas e já alteradas pela retirada das melhores madeiras, segundo a SPVS.
A araucária merece preocupação maior dos ambientalistas. Na região Centro-Sul, nas cidades de Palmas, Guarapuava, Turvo e União da Vitória, que antes dominava o cenário de araucárias, os exemplares restantes são poucos. ‘‘Além de poucos, há poucas espécies e de baixa qualidade. E onde tem, está havendo extração de madeira’’, diz o biólogo Ricardo de Miranda Britz, que participa de estudos sobre as araucárias que estão sendo feitos pela Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná (Fupef), da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A previsão é que até outubro, a equipe deve apontar a quantidade e qualidade das araucárias remanescentes.
Na região Leste, a mata atlântica também vem sendo acompanhada através do Pró-Atlântica, um programa de gestão ambiental do governo estadual em cooperação com o governo alemão. Ao todo estão sendo investidos cerca de U$S 20 milhões para estudar uma área de 11,1 mil quilômetros quadrados em 15 municípios da região metropolitana e litoral. ‘‘O objetivo é melhorar as condições da floresta, implantando um sistema de trabalho com fiscalização’’, diz o engenheiro florestal Valmir Augusto Detzel, coordenador geral do programa.
Trabalhando desde 1998, os técnicos já constataram que entre 1986 e 1997 houve uma redução de 3,3%, o equivalente a 25 mil hectares de floresta nativa na região. As causas, segundo ele, são o desenvolvimento da agricultura, agropecuária, urbanização nos arredores da Grande Curitiba e nos municípios litorâneos. ‘‘Esses 3% são preocupantes mas isso não é assustador. Era um número esperado, que mostra que se o governo e sociedade fizerem cada um sua parte, o meio ambiente pode ser preservado, protegendo também este que é um patrimônio econômico’’, diz.

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