Área da Renault tem sítio de 2 mil anos
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terça-feira, 12 de novembro de 1996
Lorena Aubrift Klenk 
Uma equipe coordenada por arqueólogos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) está trabalhando no resgate e estudo de sítios arqueológicos localizados na área onde será construída a fábrica de automóveis Renault, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo o diretor de Centro de Pesquisas Arqueológicas da UFPR, professor Igor Chmyz, foram encontrados indícios de ocupação pré-cerâmica, que teria ocorrido há cerca de 2 mil anos. O trabalho não vai interferir no cronograma de implantação da empresa, explicou o professor.
As escavações no local começaram em meados de agosto e estão praticamente concluídas. O professor Chmyz conta que a preocupação com o estudo no terreno da Renault nasceu após a localização de vários sítios arqueológicos ao longo do futuro traçado do Contorno Leste, inclusive ao lado da área onde será construída a fábrica. O aspecto arqueológico não foi considerado quando da elaboração do Relatório de Impacto Ambiental para a fábrica da Renault, afirma.
Chmyz entrou em contato com a Secretaria do Patrimônio Histórico Nacional e com o Museu Paranaense, que intercederam junto à Comec para a viabilização dos estudos. O trabalho foi financiado pela Companhia Melhoramentos de São José dos Pinhais.
O professor da UFPR diz que a datação exata das peças encontradas depende de análise de amostras orgânicas, que será feita provalmente por um laboratório do exterior. Mas, segundo ele, é possível antecipar que pontas de flechas, raspadores e facas feitos em rocha e encontrados no local pertenceram a grupos pré-cerâmicos, ou seja, que exploravam o ambiente, caçando e colhendo, ainda sem dominar as técnicas de cerâmica.
Também foram encontrados indícios de que na região viveram posteriormente dois grupos distintos de ceramistas, já na era cristã: um ligado aos Jê e outro aos Tupi-guarani. Os arqueólogos encontraram ainda sítios mais novos, que revelam a convivência entre a população mestiça (caboclos) e os europeus. São, por exemplo, peças de louça faiança trazida da Europa pelos portugueses. Todo o material está no laboratório do Centro de Pesquisas Arqueológicas da UFPR.
É o primeiro estudo de uma área extensa do Planalto Curitibano, que ainda é pouco pesquisado, afirma Chmyz. Até agora, segundo ele, havia apenas estudos sobre sítios esparsos, embora volumosos. A coleta de material numa área extensa permite comparações e a reconstrução da ocupação, afirma. De acordo com ele, a localização dos sítios não impedirá a continuidade dos trabalhos de implantação da Renault, porque não se trata de arqueologia monumental. O importante é resgatar o material, o que estamos fazendo, disse.
Chmyz alerta que, assim como ocorreu com o terreno da Renault, o salvamento arqueológico não está previsto nos locais onde será construída a barragem do Rio Iraí. O professor também pretende propor o salvamento no local onde será implantada a fábrica da Chrysler, em Campo Largo, na Região Metropolitana.


