A execução do verdureiro Maicon Araújo de Oliveira, 20 anos, na noite de anteontem, em pleno Calçadão, reaqueceu a discussão sobre a falta de segurança na Área Central de Londrina. Mesmo durante a vigência da Operação ''Londrina Segura'', que trouxe mais de 300 policiais militares para a cidade, os comerciantes da região reclamam da ausência de PMs no local, lembrando que alguns estabelecimentos foram assaltados mais de 10 vezes desde o ano passado.
Oliveira foi executado com nove disparos de pistola 9 mm, por volta das 21 horas da segunda-feira. Segundo o delegado de plantão na 10Subdivisão Policial (10 SDP) de Londrina, Airton Simplício dos Santos, os tiros atingiram a cabeça, braços e costas do jovem, que morreu no local. Uma menina de apenas três anos também foi atingida por uma bala, que transfixou sua perna. ''Por sorte a noite foi fria, o que afugentou os pedestres que normalmente passam pelo Calçadão. A tragédia poderia ter sido pior, pois de acordo com testemunhas, o autor do crime começou a disparar assim que avistou a vítima, no meio de outras pessoas'', afirmou. Oliveira estava acompanhado da namorada. A menina não foi ferida e a criança atingida está fora de risco.
Com o rapaz a polícia encontrou um papelote de pasta-base de cocaína, o que faz com que o delegado acredite que um acerto de contas tenha motivado o crime. ''Ainda ontem (anteontem) ouvi conversas sobre a possibilidade de Oliveira estar sendo ameaçado. Alguns rapazes chegaram a comentar a coragem da vítima em estar no calçadão, mesmo sendo 'jurado'', contou. A região, próxima à praça Floriano Peixoto, também é citada por pedestres como um ponto de tráfico extremamente movimentado durante a noite.
No velório, realizado ontem na Capela do Cemitério Padre Anchieta (Zona Leste), a mãe do rapaz confirmou as ameaças. ''Ele realmente foi jurado e já escapou de outras duas tentativas de homicídio. No ano passado, ele foi ferido no braço, e no começo deste ano, o carro dele foi atingido por vários tiros'', descreveu a comerciante Rosilda Moraes Araújo. A mãe do jovem negou que ele tivesse envolvimento com drogas.
O homicídio - o 82º ocorrido este ano na cidade - fez com que grande parte dos comerciantes que trabalham no Calçadão cobrasse mais policiamento na área, principalmente durante a noite. ''Vemos policiais todos os dias. Mas depois das 20 horas eles somem'', afirmou o empresário Almerindo José Bonfin. ''Minha lanchonete foi assaltada nove vezes no ano passado e mais duas este ano. Com esta operação (Londrina Segura), até vejo mais PMs por aqui. Mas ainda assim não é suficiente'', disse o também empresário José Novaes Bacelar. A grande incidência de assaltos foi confirmada pelo delegado adjunto da 10Subdivisão Policial (10 SDP), Márcio Amaro. ''Quase não temos homicídios nesta área. Em compensação, o Centro reúne o maior número de ocorrências de roubos, furtos e estelionatos''.
O comando do 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM) de Londrina não se pronunciou sobre a reclamação dos comerciantes. De acordo com a divisão de imprensa da PM, a Área Central é uma das mais policiadas da cidade e o batalhão já trabalha, inclusive, na solução do homicídio, por meio do Serviço Reservado (P2). Pela Polícia Civil, o inquérito será conduzido pelo delegado operacional Joaquim de Melo. Ele informou à reportagem que pretendia ouvir ainda ontem a namorada de Oliveira.

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