Ardisson Akel vence eleição da Faciap
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sábado, 29 de agosto de 1998
Osmani Costa 
A chapa de oposição liderada pelo empresário curitibano Ardisson Akel venceu ontem, com uma diferença de apenas 13 votos - 117 contra 104 dados à chapa de Abílio Medeiros - a eleição para dirigir a Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap). A eleição ocorreu no Hotel Sumatra, em Londrina, durante o congresso anual da entidade que representa cerca de 30 mil empresários de todo o Estado.
A nova diretoria e o conselho deliberativos, eleitos simultaneamente, tomarão posse em 30 dias, para um mandato de dois anos. A transmissão dos cargos será coordenada pelo atual presidente da Faciap, Farage Kouri. O encerramento do congresso, na noite de ontem, contaria com a presença do governador Jaime Lerner (PFL), entre outras autoridades.
Marcos BorgesDecisãoDisputa gerou discursos inflamados e troca de acusações; o resultado: 117 votos para Akel contra 104 de MedeirosO clima de rivalidade entre os membros das chapas concorrentes se acirrou e chegou a ficar tenso, nas horas que antecederam a eleição. Medeiros, ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), e Ardisson Akel, ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Curitiba, fizeram discursos inflamados e trocaram acusações entre si.
Esta foi a primeira vez, em 39 anos de existência, que duas chapas concorreram às eleições da Faciap. As principais discordâncias entre as chapas - que pregavam a união das associações e maior espaço à participação do interior no direção da entidade - eram em relação à composição do colégio eleitoral e à forma de votação.
A chapa de Medeiros - Paraná igual - defendia o voto universal, com cada uma das 237 associações tendo direito a apenas um voto, e que a votação fosse nominal e aberta, com a declaração do voto de cada um ao microfone. A chapa de Akel - União, força e renovação - defendia a manutenção do voto paritário, com cada associação tendo votos proporcionais ao número de seus filiados, e que a votação fosse através do voto secreto em urna.
A votação foi aberta, com declaração de voto; e o voto foi paritário: cada associação teve direito a um voto inicial e mais um para cada 200 associados que representam. Assim, a maioria das entidades teve direito a apenas um voto; enquanto que somente 21 associações tiveram peso maior. Curitiba teve direito a 27 votos, Maringá a oito, e Londrina a seis. A chapa vitoriosa recebeu votos de 70 associações, enquanto que a derrotada, de 85 entidades.
Durante as discussões, Akel acusou a diretoria presidida por Farage Kouri de fazer manobras para beneficiar a chapa de Medeiros. Kouri negou que houvesse conduzido o processo de maneira parcial.
O apoio de Kouri - que é de Londrina e também já foi presidente da Acil - à chapa de Medeiros não foi explícito. Somente pelos discursos do ex-presidente da Faciap e dos dois candidatos, e pelas divergências no encaminhamento do processo pré-eleitoral, foi possível estabelecer aquela ligação. Medeiros elogiou o trabalho de Kouri à frente da entidade nos últimos dois anos, enquanto que o grupo de Akel se negou a aprovar em plenário o relatório final das atividades da diretoria que estava terminando o mandato. O relatório, segundo Farage Kouri, já havia sido aprovado pelo conselho deliberativo da federação e necessitava ontem apenas da assinatura dos conselheiros.


