Arcebispo lança livro que ensina a rezar
Érika Pelegrino
De Londrina
Um dia uma pessoa parou diante do arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin, e humildemente lhe fez o seguinte pedido: bispo, ensina-me a rezar. Uma idéia não lhe saiu mais da cabeça, a partir daquele momento: as pessoas não sabem que sabem rezar. Pai-Nosso, Ave-Maria, Salve-Rainha não são as únicas formas de oração. O trabalho feito com dedicação e baseado na justiça e honestidade, segundo dom Albano, é uma oração.
Em seu livro Bispo, ensina-me a rezar, que será lançado na segunda-feira, o bispo mostra em 53 artigos e orações criados por ele nos últimos 20 anos, como as pessoas podem transformar em oração suas atividades diárias. Uma dona de casa que troca 20 fraldas durante o dia, pode estar rezando, afirma.
Para isto é preciso que a pessoa tenha consciência de que seu trabalho é uma oração, quando feito na verdade e no amor. No livro, dom Albano, dá as coordenadas de como estar em oração no dia-a-dia. A idéia é misturar, transformar a vida em oração, mesclar o trabalho com a oração, diz. É preciso saber escutar o que Deus nos fala através de cada acontecimento, de cada sofrimento, complementa.
Inspirado em Mahatma Gandhi que dizia que se o trabalho do homem com seu arado não fosse o mesmo que o trabalho em um mosteiro, ele não entendia o que era religião, dom Albano, durante seus 46 anos de sacerdócio, buscou viver em oração, vendo no trabalho do homem uma forma de comunhão com Deus.
Bispo, ensina-me a rezar traz entre outras a oração da cozinheira, do espelho (para quando se está em frente dele penteando-se, por exemplo), de cada dia, dos doentes, do jornalista, do professor, do comerciante e até mesmo de instituições, como universidades. Para cada momento do dia, para cada trabalho há uma oração.
Através de uma metáfora, dom Albano fala ainda sobre os quatro graus da oração: numa festa de aniversário o pai recebe presentes de quatro filhos: o de seis anos recita uma poesia, o de 11 anos faz um discurso com palavras mais elaboradas, o de 15 anos lhe entrega um ramalhete de flores, o de 18 anos lhe dá um beijo. O pai gosta de todos os presentes.
O presente da criança de seis anos representa a oração verbal, o presente da criança de 11 anos indica uma oração mental (meditação), o presente do filho de 15 anos é a oração que oferece o trabalho do dia e o presente do filho de 18 anos é a pessoa que vive em oração, que vive centrada em Deus, explica. Isto significa, segundo o arcebispo, que Deus gosta de todas as orações, mas a gente deve crescer na oração.
Natural de Lapa, cidade próxima de Curitiba, dom Albano afirma que nasceu padre. Minha vida toda sempre soube da minha vocação. Aos 10 anos já comecei a estudar para ser padre, conta. Começou o seminário em Curitiba e concluiu em São Paulo. Na sequência foi para Roma e depois Bruxelas, complementar seus estudos.
De volta ao Brasil morou em Curitiba, Guarapuava e Londrina. Como bispo viajou pela Colômbia, Equador, Assunção e Santiago do Chile. O livro Bispo, ensina-me a rezar será lançado na segunda-feira às 20 horas no Hotel Crillon e na terça-feira, na Catedral, às 19h30 após missa dos 46 anos de sacerdócio de dom Albano Cavallin.Em Bispo, ensina-me a rezar, dom Albano Cavallin mostra que o trabalho justo e honesto é uma forma de oração
Arquivo Folha/Milton DóriaEXEMPLOSDom Albano Cavallin explica, em seu livro, como transformar em oração as atividades do dia-a-dia





