O arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin, completou 71 anos na última quarta-feira e tem mais uma festa pela frente: no dia 9 de maio ele completará nove anos à frente da Arquidiocese que administra 62 paróquias distribuídas em 15 municípios da região.
Se tivesse que exemplificar através de números o trabalho na Arquidiocese de Londrina, certamente escolheria a quantidade de jovens que já crismou: 25 mil. A esperança do arcebispo é que esses jovens levem adiante uma vida crist㠑‘de verdade’’.
A trajetória religiosa de dom Albano Cavallin, paranaense da Lapa, começou cedo, aos 10 anos, quando entrou no seminário. De 1973 a 1986 ocupou seu primeiro importante cargo na Igreja, o de bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba. De 1986 a 1992 foi bispo de Guarapuava, e de 1989 a 1993 foi bispo da catequese na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Do trabalho em Curitiba ele guarda as tristes lembranças de percorrer as celas de presos políticos, muitos deles seus amigos. Procurava não levar apenas conforto aos prisioneiros, mas defendê-los frente aos militares. Algumas vezes foi reconhecido pelo trabalho. Recentemente, um rapaz o procurou para agradecer as visitas que fez ao pai – preso político – na década de 70.
Depois da participação da Igreja Católica no Movimento pela Moralização na Administração Pública, que cobrou rigor nas investigações de irregularidades no mandato do ex-prefeito Antonio Belinati (cassado pela Câmara de Vereadores em junho de 2000), a maior preocupação agora é com a Campanha da Fraternidade, que este ano tem como tema ‘‘Vida Sim! Drogas Não’’. Sobre as causas que levam os jovens ao caminho da cocaína, crack e outras drogas, dom Albano Cavallin faz um alerta aos pais, ressaltando o problema da falta de afetividade nas famílias. ‘‘O grande remédio é um comprimido que se chama amorol’’, brinca.
Na sala que ocupa no novo prédio da Cúria Metropolitana, na Rua Dom Bosco, 145, área central da cidade, dom Albano declara seu amor por Londrina. ‘‘Não nasci pé vermelho. Mas quero andar no barro para ficar com o pé vermelho’’. No prédio ainda inacabado, o escritório do arcebispo é decorado por uma fotografia do Papa João Paulo II e por uma imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Em cima da mesa, uma Bíblia aberta em uma das páginas do Livro de Tobias que falava sobre o matrimônio.
Dom Albano diz que tem sonhos para a cidade. Um deles é trazer um campus da Pontifícia Universidade Católica (PUC). Ele diz que as negociações estão adiantadas e que o desfecho depende agora do Ministério da Educação (MEC). O outro é a criação de um Museu Sacro, idéia que já começa a ser discutida com lideranças culturais.
Outro sonho é de construir em Londrina um eremitério, que ao ‘‘pé da letra’’ significa retiro de eremita, mas que pode ser entendido como um local retirado e silencioso, apropriado para orações. ‘‘Religião, espiritualidade não é um artigo de luxo. É importante a possibilidade de um encontro a sós com Deus’’, diz. O local para o eremitério já existe e está localizado na zona sul da cidade.
Conhecido pelas histórias que conta em suas pregações, o arcebispo de Londrina lembra que tem uns 30 livros reunindo lendas, fábulas e pensamentos dos mais variados. Confessa até que já pensou em reunir algumas em um livro, o segundo de sua autoria. Em dezembro de 1999, durante a comemoração dos seus 46 anos de sacerdócio, ele lançou o livro ‘‘Bispo, ensina-me a rezar’’. A publicação reúne orações feitas em diversas ocasiões, uma delas dedicada aos jornalistas, profissão que dom Albano diz muito admirar. Escrita na forma de uma entrevista, a prece, em determinado trecho, diz: ‘‘Cristo, peço-te força para sempre falar em nome dos que não têm voz, nem vez, pois a denúncia das chagas sociais representa para mim um dever ético-social e cristão intransferível’’.
O amor declarado aos jornalistas pode ter relação com a fraternidade de São Francisco Sales, à qual dom Albano diz pertencer e que, segundo ele, foi fundada por um bispo francês, patrono dos jornalistas. ‘‘Ele escrevia as orações à mão e colocava embaixo das portas das casas’’, conta.
Dom Albano Cavallin ainda pode ter mais uma grande comemoração neste ano. A Pastoral da Criança, que nasceu na Arquidiocese de Londrina, disputa a indicação para o Prêmio Nobel da Paz. ‘‘Mas com Nobel ou sem Nobel, a Pastoral da Criança é hoje uma das maiores ONGs (organização não-governamental), reunindo cerca de 100 mil mães’’, afirmou.
A Pastoral foi criada na década de 80 pelo ex-arcebispo de Londrina dom Geraldo Majella Agnello, hoje cardeal e arcebispo de Salvador, e pela médica sanitarista Zilda Arns. ‘‘Com Nobel ou sem Nobel, Jesus sabe o valor da Pastoral e vai recompensar todos os que trabalham na obra da educação no Brasil’’, disse.

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