Mauricio Della Barba
De Londrina
O presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Renato Araújo (PPB), decidiu, ontem, abrir sindicância interna para apurar denúncia contra a Comissão de Justiça da Casa, acusada de demorar na liberação de pareceres de projeto do Executivo. A matéria autoriza abertura de crédito adicional de até R$ 70 mil a ser repassado para 108 entidades assistencias da cidade, entre elas, os R$ 16 mil necessários para a reativação da Escola Oficina, localizada na zona norte.
A denúncia foi feita pela Coordenadora do Fórum Permanente das Entidades Assistenciais de Londrina, Itamar Kedna Helene Alves, que disse ter recebido um telefonema anônimo de uma mulher, avisando que um vereador estaria ‘‘querendo retirar o projeto de circulação’’. ‘‘A mulher não quis se identificar e falou que tinha fontes limpas, e que o Sidney de Souza (PTB) estava segurando o projeto’’, explicou.
O vereador Sidney de Souza (PTB), que faz parte da Comissão de Justiça juntamente com os vereadores Flávio Vedoato (PL) e Orlando Bonilha (PDT), pediu a abertura da sindicância e negou a acusação. ‘‘Trata-se de uma grande mentira. Até porque, nosso prefeito havia acenado com um pedido de urgência na aprovação do projeto, que tem como objetivo ajudar as entidades assistencias da cidade’’, afirmou.
O presidente da Casa acatou o pedido de Souza e criticou as denúncias. ‘‘Não vou admitir que isso aconteça na Câmara. Quero descobrir quem é esta mulher anônima e se o fato tem consistência’’, alertou Araújo.
O projeto que foi encaminhado à Comissão de Justiça no dia 18 de novembro deveria receber um parecer em 15 dias, e posteriormente encaminhado a Comissão de Finanças. ‘‘Lembro de ter dado o parecer e encaminhado a todos os vereadores. Mas sumiu e ninguém recebeu’’, disse Vedoato, presidente da Comissão de Justiça.
A necessidade da urgência na aprovação do projeto fez com que fosse providenciado uma segunda via das matérias, que recebeu parecer instantâneo de todas as comissões, sendo aprovado por unânimidade na sessão de ontem.
O presidente da Câmara também fez um alerta aos vereadores que faltam às sessões. ‘‘De agora em diante, os vereadores que não estiverem presentes durante as sessões desta casa, terão seus dias descontados.’’
O aviso surgiu em virtude das constantes ‘‘debandadas’’ de alguns vereadores durante as votações. Projetos importantes, que exigem um quórum de 14 vereadores, não chegam nem a ser comentados. ‘‘Estamos a quase duas semanas com os projetos que estipulam a duração das CEIs e sempre não há quórum para a votação’’, disse Antenor Ribeiro (PPB).
A lista de presença é passada no início e no término de cada sessão. Muitos chegam a assinar a entrada, mas acabam indo embora, sem alegar imediatamente os motivos, regra básica do Regimento Interno. ‘‘Muitas vezes o vereador responsável por passar a lista, também não se encontra no plenário’’, alfinetou Ribeiro.
‘‘Vamos ter que voltar no tempo do colégio’’, brincou Roberto Kanashiro, que também apóia a decisão do presidente em descontar o dia no pagamento do vereador faltoso.

mockup