Araucárias estão quase extintas, diz Ibama
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quarta-feira, 15 de setembro de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Londrina Árvore-símbolo do Estado, de madeira nobre, a araucária está ameaçada de extinção no Paraná. O avanço do desmatamento clandestino, com a atuação indiscriminada de empresas do setor madeireiro, resumiu as reservas paranaenses a pequenos vestígios florestais. Segundo um levantamento feito pelo Ministério de Meio Ambiente, com apoio do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), do Paraná, apenas 0,8% da cobertura original continua intacta. As florestas de araucária já ocuparam uma área equivalente a 80 mil quilômetros quadrados do Estado. ''Hoje temos menos de 1% deste território. São pequenas áreas remanescentes em algumas regiões, que continuam ameaçadas com o corte ilegal de árvores. Hoje, no Paraná, a araucária está praticamente extinta'', garantiu Marino Elígio Gonçalves, 40 anos, supervisor do Ibama, no Estado.
Preoucupado com a situação, que se agrava a cada ano, o instituto ambiental implementou novas medidas de fiscalização para inibir a proliferação do mercado ilegal de madeira. Além das multas, que serão mais altas a partir de agora, o conjunto da iniciativa cria ainda o Centro de Informações Avançadas, que contará com uma laboratório de geoprocessamento, alimentado dia-a-dia com fotos de satélites, que será capaz de monitorar a situação das florestas de araucárias. Com um sistema de monitoramento avançado, via satélite, o Ibama terá condições de retroagir no tempo e mensurar o território devastado nos últimos anos. ''Vamos criar um banco de dados, com fotografias atualizadas. Alguma alteração na tonalidade das imagens, por exemplo, poderá indicar um possível desmatamento, e teremos condições de mandar imediatamente uma equipe de fiscalização'', explicou. ''Com este laboratório, queremos desenvolver ações preventivas, com a floresta ainda em pé, e não repressivas, quando a floresta já estiver no chão'', prosseguiu. O Centro de Informações, que será instalado na sede do Ibama, em Curitiba, deve entrar em operação em dois meses.
Parte do ecossistema da Mata Atlântica, cuja vegetação é protegida pela Constituição Federal e pela lei de crimes ambientais, a floresta de araucária acolhe 374 espécies de animais, alguns deles ameaçados de extinção. Entre as iniciativas, o Ibama implantou a multa por agressão à fauna, que tem por finalidade evitar a destruição de ninhos, abrigos ou criadouros naturais. Na prática, a mudança vai elevar o valor das autuações. ''Queremos acabar com esta história de que o crime compensa. Ao promover o desmatamento de uma floresta de araucária, o infrator também colocará em risco todo um ecossistema, com 374 animais diferentes'', argumentou o supervisor. Além de uma multa de R$ 1,5 mil, referente a cada hectare desmatado, o responsável pelo crime pagará mais R$ 473 mil, aproximadamente R$ 500 por cada animal colocado em risco. O Ibama também reforçou sua procuradoria jurídica, que está autorizada a impetrar ações civis públicas exigindo recuperação de áreas devastadas.


