Araucária ganha prêmio Itaú-Unicef
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de novembro de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Noventa e cinco crianças e adolescentes entre sete e 14 anos, que antes eram obrigadas a acompanhar seus pais no trabalho na lavoura, porque não tinham onde ficar, hoje têm espaço garantido na Casa da Criança Lagoa Grande, localizada dentro da vila onde moram, na zona rural de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. Ali, além de participarem de atividades esportivas e culturais, eles têm a oportunidade de conhecer outras realidades de vida diferentes do trabalho na roça, e ainda garantem a continuidade de seus estudos na escola.
Com essa iniciativa, a Organização Não Governamental (ONG) Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI) conseguiu se classificar entre os 30 programas do País finalistas do Prêmio Itaú-Unicef, concedido pela Fundação Itaú Social e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A entidade já recebeu, em Curitiba, seu prêmio como uma das quatro entidades premiadas da região Sul. Cada um dos projetos premiados receberá R$ 8 mil, um computador e uma impressora. Ao todo, 245 projetos da região Sul se inscreveram para o prêmio.
O programa é fruto de uma parceria, concretizada há três anos, entre a Prefeitura de Araucária, Associação de Moradores e a APMI. ''Como a vila está a quase 30 quilômetros do centro de Araucária, era comum os pais levarem os pais seus filhos junto no trabalho da roça, porque não tinham com quem deixar'', conta Elisiane Berno, coordenadora da APMI. Como resultado, segundo ela, a taxa de evasão e repetência escolar sempre eram muito altas.
Diante dessa situação, cada um resolveu fazer sua parte. A Associação de Moradores entrou com o barracão, que sedia a Casa da Criança, a ONG se responsabilizou pelas contas de luz e água e pela metodologia das atividades e a prefeitura, pela cessão de educadores para o programa.
Entre as atividades culturais e esportivas, as crianças têm aulas de música (violão, flauta, coral), fazem trabalhos de artes, e participam de grupos de danças. Também recebem almoço e lanche. Mas nem tudo é lazer. No local, contam com serviço de psicologia em atendimento individual e de grupo e atividades de apoio escolar. ''A preocupação não é só fazer o controle das notas escolares mas principalmente estimular o gosto pelo aprender'', diz Elisiane.
Ela explica que, como trata-se de uma região essencialmente agrícola, a maioria dos pais tem pouca escolaridade e também não dava importância para o estudo. Outra peculiaridade da região é o baixo poder aquisitivo. A maioria dos moradores não tem terras para plantio e trabalha como bóia-fria, na colheita ou plantio em outras propriedades.


