Toda a população de Arapongas – cerca de 100 mil habitantes – ficou sem água ontem. O problema de abastecimento, provocado pela poluição detectada na Bacia do Ribeirão Apertados e pelo tempo de uso da tubulação que faz a captação no manancial, está se tornando crônico. Houve novo rompimento dos canos, a Sanepar interrompeu o fornecimento e colocou um caminhão-pipa à disposição de hospitais, creches, escolas e asilos. A situação foi resolvida no início da tarde, mas o serviço só deveria ser restabelecido para toda a cidade no final da noite.
  O gerente regional da Sanepar para Arapongas, Luiz Alberto da Silva, explicou que a tubulação é antiga e as peças estão desgastadas. Esta teria sido a causa do rompimento de uma junta de vedação, exigindo a interrupção da captação e, por conseqüência, do abastecimento. Diante do problema, a Sanepar aproveitou para antecipar o trabalho de substituição da tubulação que iria ocorrer no próximo dia 28.
  O próprio gerente admitiu, no entanto, que outros rompimentos poderão acontecer, uma vez que o sistema continua fragilizado. Para piorar, a licitação que a empresa estatal realizou para a realização das obras de substituição não atraiu interessados. Agora, a própria Sanepar vai tomar a frente da empreitada, com o apoio da Prefeitura.
  Quanto à normalização do abastecimento, Silva garantiu que todos os clientes voltariam a receber água até a meia-noite de ontem. O gerente lamentou que as constantes paralisações acabam prejudicando a confiabilidade da empresa perante os consumidores e lembrou que os problemas ambientais detectados na Bacia do Apertados contribuem para piorar a situação. ‘‘Lamentamos que a cidade esteja vivendo uma série de interrupções no fornecimento de água, em um momento por problemas ambientais no manancial, e em outro por questões de ordem operacional’’, comentou, mas completou que a prioridade da Sanepar ‘‘é manter a água nas torneiras’’.
  A contaminação da água da Bacia do Apertados mobiliza atualmente todas as instâncias ambientais do Município e do Estado. O Governo pretende transformar a bacia em área de manancial de abastecimento público e, com isso, limitar o uso da água e do solo e recuperar a degradação gerada pela derrubada da mata ciliar, lançamento irregular de esgoto doméstico, agrotóxicos e descarte de embalagens e uso de venenos proibidos no Brasil, entre outros crimes.

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