Arapongas - Foi confirmado ontem o primeiro caso de dengue de 2008 em Arapongas (Norte). A vítima é uma mulher de 50 anos, moradora do Jardim Bandeirantes. O caso despertou dúvidas quanto a ser autóctone ou não. A mulher afirma não ter saído da cidade nos últimos tempos, mas, como até então não havia circulação viral em Arapongas, a suspeita é que ela tenha contraído a doença a partir de alguém que tenha tido dengue de forma assintomática ou que a mulher tenha entrado em contato com algum mosquito infectado trazido em algum caminhão na empresa onde trabalha. Somente este ano, já foram notificados 53 casos na cidade, sendo que 20 já foram descartados e o restante ainda aguarda os resultados dos exames.
Com a notícia, a Secretaria de Saúde do município deve intensificar o trabalho no bairro. ''Assim que surge a suspeita, nós já realizamos um bloqueio de nove quarteirões, fazemos uma varredura em 100% das casas e aplicamos inseticida'', esclareceu Clara de Oliveira, coordenadora de combate à dengue na cidade, acrescentando que o Programa Saúde da Família também tem monitorado os moradores para identificar novas suspeitas.
Segundo Clara, a população está consciente e atenta aos riscos da doença. ''Estamos com uma demanda muito grande de serviço nas Unidades Básicas de Saúde por conta dessa preocupação, e a população também tem denunciado locais onde há focos. As pessoas estão acompanhando e se mobilizando contra a doença'', afirmou.
A coordenadora reconheceu, porém, que há ainda casos problemáticos, em que os moradores recusam-se a abrir as portas para os agentes ou, mesmo depois de encontrados os focos do Aedes aegypti e recebida a orientação, não tomam providências. ''Temos 40 casos de reincidentes, que encaminhamos à Defesa Civil. Esta denunciou-os ao Ministério Público, que deve convocá-las e tomar as devidas providências'', revelou. Arapongas tem uma lei municipal que prevê multa no valor de R$ 50 a R$ 300 para as propriedades onde houver focos do mosquito, mas até agora ninguém foi multado.
''Essas pessoas estão colocando em risco a vida de outros, e o Estado não tem que ser tão complacente. É possível instaurar um inquérito policial contra essas pessoas, para abrir um processo-crime'', complementou o representante da Coordenadoria Regional de Defesa Civil do Paraná e comandante do Corpo de Bombeiros de Arapongas, capitão Arnaldo Sebastião. Em 2007, o município registrou 22 casos da doença.

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