Arapongas propõe doar farinha
Arapongas propõe doar farinha
Alexandre Sanches
Paulo WolfgangFarinha está estocado num armazém do governo em Arapongas; sugestão será feita ao Comunidade SolidáriaDoar parte das 201.700 sacas de 50 quilos de farinha de mandioca estocadas no armazém do antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC) de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), para os flagelados da seca no Nordeste. Esta é a sugestão enviada esta semana pelo vice-prefeito Sérgio Kummel (PSDB) para a presidente do programa Comunidade Solidária, Ruth Cardoso.
Estocada desde a safra 93/94, a farinha está em poder do Banco do Brasil de Paranavaí, que pegou o produto como garantia de dívidas dos produtores de farinha da região. Do total, cerca de 260 tonetalas fazem parte da aquisição do governo federal (AGF) e já pertencem à União. Aproximadamente 195 mil sacas - pouco mais de nove mil toneladas - fazem parte do empréstimo do governo federal (EGF) aos fabricantes de farinha. Esta dívida teria que ser paga em seis meses. Hoje, o estoque é praticamente do Banco do Brasil, comentou.
Kummel acredita que para o governo é fácil adquirir esta farinha, bastando transferir recursos para o Banco do Brasil, liberando todo o estoque. A armazenagem tem um custo mensal alto para o governo. Hoje, não podemos aceitar que irmãos nossos morram de fome no Nordeste, enquanto nós temos o amido que eles comem constantemente, ressaltou.
A idéia de sugerir a doação do estoque de Arapongas, segundo o vice-prefeito, surgiu esta semana enquanto analisava o total de sacas armazenadas no município. Num dos maiores galpões do IBC do Brasil, a farinha está armazenada há quase cinco anos, mantendo-se em perfeitas condições para consumo.
A preocupação de Sérgio Kummel é que, nas próximas semanas, parte do barracão do IBC será transformado em Centro Regional de Negócios, destinado a pequenas e médias indústrias que pretendem se instalar no município, programa do governo do Estado. Para que este projeto seja viabilizado, parte do estoque de farinha será transferido para outra área dentro do próprio galpão. Segundo o vice-prefeito, isso vai gerar mais uma despesa desnecessária ao governo.
Se cada família receber uma saca desta de farinha, teremos pelo menos 200 mil famílias se alimentando com amido de boa qualidade. Pode não parecer muito, mas é produto que muitas vezes o governo nem está sabendo que existe, disse.
De acordo com funcionários da Codapar, responsável pelo gerenciamento de armazenagem nos galpões do antigo IBC, os produtos estão em condições de consumo. As sacas que apresentam problemas como fungos, são armazenadas separadamente. No armazém é utilizada uma técnica que evita a proliferação de ratos. Esta farinha será mais útil se for doada às famílias que passam fome do que ficando mais, sabe lá quantos anos, estocada aguardando uma posição política, diz Kummel.





