Arapongas poderá captar água do Tibagi
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terça-feira, 20 de novembro de 2007
Widson Schwartz<br>Especial para a FOLHA 
De onde vamos tirar água pra tanta gente?
Arapongas - Noventa mil habitantes, indústrias e outras atividades em Arapongas recebem água da confluência dos ribeirões Apertado e Frouxo, cabeceira do Apertados, que corre para o Sul de Londrina. Mas o crescimento do consumo, que relaciona o adensamento populacional a novas indústrias (oferta de empregos) todo ano, indica que será preciso recorrer ao Rio Tibagi, com o passar das próximas duas ou três décadas. ''De onde vamos tirar água pra tanta gente?'', indaga o gerente da Unidade Regional de Arapongas da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Luiz Alberto da Silva.
Paralelamente, a ampliação do esgoto sanitário é meta ambiciosa, pelo cunho social e a questão ambiental, anuncia o gerente. Arapongas está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para receber R$ 28,883 milhões que, somados a valores de outras fontes, totalizarão R$ 30 milhões em quatro anos para água e esgoto.
Dois terços das dotações vão custear a ampliação da coleta de esgoto, que chegará a 75% da população em 2010. Atualmente, a rede abrange 36% da população, mas a oferta já é de 45%. Assim, a rede ainda pode receber um certo número de domicílios cujos moradores não pediram a integração, geralmente porque consideram a taxa muito alta em relação à de água. ''A adesão total não ocorre por falta de consciência ecológica'', afirma Silva. Ou porque falta a plena compreensão de que a infra-estrutura e o tratamento de esgoto são realmente muito caros.
Vistorias até 26 de outubro passado constataram 107 pontos de lançamentos de esgotos em galerias pluviais e 2.672 em fossas. Entretanto, há muita gente esperando por esgoto. Em apenas um setor da cidade, a ampliação chegará a 12 conjuntos habitacionais e loteamentos particulares que requerem 6.400 ligações, exemplifica Silva.
Conforme estimativa do IBGE, a população de Arapongas cresceu 36,6% no período 1991-2000 e a de Rolândia, 18,63%. Respectivamente, as populações rurais estão abaixo de 5% e de 10% dos totais. Pela contagem em 2007, Arapongas tem 96.669 habitantes, uma diferença de 11.254 em comparação aos 85.415 estimados em 2000, crescimento de 13,1%; no período, Rolândia passou de 49.404 para 53.437, mais 8,1%.
São as duas cidades que mais crescem entre as 13 no âmbito da regional da Sanepar, exigindo grande empenho da concessionária para acompanhar o ritmo, observa o gerente. Em obra de esgoto recém-concluída, Rolândia absorveu R$ 3,144 milhões do programa Paraná Urbano II e R$ 6 milhões repassados pela Caixa Econômica Federal (CEF), investidos na ampliação do sistema produtor de água e na construção de reservatório de um milhão de litros. Para ampliar a coleta de esgoto, numa próxima etapa, já estão assegurados R$ 9,5 milhões na CEF.
Nas 14 cidades e sete distritos da regional, encontram-se abastecidos 233.098 habitantes, dos quais um terço em Arapongas, onde existem 29.307 ligações de água (33 mil economias) e 10.988 de esgoto, 100% tratado. Do valor total inscrito no PAC, R$ 20 milhões e 283 mil serão aplicados na ampliação da coleta de esgoto, cuja rede evoluirá dos atuais 148,6 mil metros para 351.261, acréscimo de 202.600. Trata-se de um complexo que incluirá 6 estações elevatórias, pontos de recalque em 6.363 metros e 12.445 interceptores.
O maior alcance da rede exigirá a adequação das duas estações de tratamento e a construção de mais uma, com outro projeto e outros recursos financeiros, de fora do PAC, segundo Silva. Atualmente, a rede de esgoto faz chegar às estações de tratamento quantidade de efluente equivalente a 80% da vazão de água tratada, que é de 900 mil metros cúbicos por hora na rede. A decantação do esgoto deixa um lodo rico em nutrientes que, depois de seco, um adubo que é doado a agricultores cadastrados na Sanepar.
O dinheiro do PAC virá da CEF e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ''carimbados'' R$ 8,5 milhões para a produção, adequação e reservação no serviço de abastecimento de água em Arapongas, compreendendo reservatórios para mais 4,5 milhões de litros. Antecipando-se ao PAC, a Sanepar investiu, recentemente, R$ 650 mil próprios num sistema que permite recuperar 80% da água eliminada junto com o lodo pela Estação de Tratamento; e R$ 700 mil, da empresa e da CEF, estão assegurados para ampliação da captação e reserva ao sul da cidade.
É ali que entra toda a água para Arapongas, captada a 25 quilômetros na cabeceira do Ribeirão Apertados, até um milhão de metros cúbicos por hora, havendo um reservatório de 2,5 milhões de litros. Contudo, Silva prevê que haverá defasagem nas próximas décadas e a alternativa será o Rio Tibagi. Em Arapongas e cercanias, o Aquífero Guarani é difícil, devido à ocorrência do veio de flúor muito consistente abaixo de 200 metros, e a profundidade média é de dois mil metros.


