A Prefeitura de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) é a responsável pela limpeza dos entulhos que as indústrias moveleiras estão depositando na área onde fica a nascente do Ribeirão Três Bocas, no Jardim São Rafael. Uma máquina contratada pelo município deve iniciar hoje a remoção do lixo que há cerca de oito meses vem sendo depositado no local. A decisão foi tomada ontem em reunião com a participação do prefeito José Bisca, secretários e empresários do setor moveleiro.
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) notificou a prefeitura por não estar protegendo a área de preservação permanente, podendo aplicar uma multa pela infração. A água do manancial está apresentando tonalidade turva por causa do despejo dos entulhos. O município tem um mês para limpar a área e apresentar um plano de recuperação ambiental, medidas que a prefeitura garante cumprir dentro do prazo estipulado. ‘‘Tudo será feito seguindo o estabelecido pelo Ibama’’, disse o secretário de Viação e Obras Públicas, Israel Biason Filho. Segundo ele, a área anexa à nascente do Ribeirão Três Bocas tinha autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para servir como aterro.
Consultado pela Folha , o promotor do Meio Ambiente em Arapongas, Nelcino Moura de Oliveira, disse que não foi convidado para a reunião de ontem. Ele informou que na próxima semana deverá visitar o local com fiscais do Ibama para verificar a gravidade da contaminação da nascente. ‘‘Já sabemos que a situação é grave. Se constatarmos irregularidades, a promotoria pode entrar com uma ação civil pública contra os responsáveis, chegando inclusive a aplicar multas e fechar empresas’’, alertou. A prefeitura também pode ser multada pelo Ministério Público, caso não cumpra as determinações do Ibama.
O Sindicato das Indústrias Moveleiras de Arapongas (Sima) informou que já foi adquirido um terreno, na zona rural, apropriado para o aterro, que abrigará aproximadamente 5% dos entulhos. Além disso, está prevista para junho a efetivação da usina para reciclagem dos outros 95% de materiais sólidos - segundo o sindicato. Mais de R$ 750 mil já foram investidos. O Sima quer evitar novas multas a seus associados. Em julho do ano passado, 20 indústrias moveleiras foram autuadas pelo IAP por falta de licenciamento ambiental e depósito irregular de lixo industrial. As multas chegaram a R$ 219 mil.
O chefe regional do IAP, Andrew Pinheiro Neto, informou que o terreno destinado pela prefeitura ainda não está licenciado. Técnicos estão fazendo um estudo de viabilidade da área, que deve estar concluído na próxima semana. ‘‘Está tudo encaminhado para a aprovação. Mas não podemos tomar medidas precipitadas.’’ Pinheiro Neto não confirmou que o terreno usado atualmente pela prefeitura tenha licença do órgão, conforme afirmou o secretário de Obras do município.

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