Arapongas aumenta fiscalização com retorno do comércio
Município começou semana com retomada gradativa das atividades econômicas e um óbito por Covid-19
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de abril de 2020
Município começou semana com retomada gradativa das atividades econômicas e um óbito por Covid-19
Laís Taine - Grupo Folha 
Arapongas reabriu comércio na segunda-feira (13) após três semanas de isolamento domiciliar por conta do novo coronavírus. A data é a mesma que um homem de 79 anos, sem comorbidades, faleceu por conta da doença na cidade. Entre a retomada da economia e a segurança, o decreto liberou as atividades comerciais, mas com ressalvas: é preciso que os estabelecimentos sigam medidas e se responsabilizem pela prevenção de funcionários e clientes. Para garantir o cumprimento, o Município intensificou a fiscalização, com risco de cassação de alvará para quem continuar insistindo em não seguir as orientações.

Entre as medidas, a proibição da entrada de idosos, crianças, portadores de comorbidades e gestantes de alto risco, além de ser obrigatório o uso de máscara aos trabalhadores e consumidores. “Nós percebemos que o comerciante, de forma geral, tem tomado as medidas necessárias cabíveis, mas nos relataram dificuldade da população no entendimento da necessidade do uso de máscara. Ainda não é consenso da população, alguns não sabiam, mas outras trataram mal o comerciante ou o servidor que orientou. Um relato que a gente não esperava”, aponta o secretário municipal de Saúde, Moacir Paludetto Júnior.
Bancos e lotéricas também demonstraram dificuldade na organização de filas na parte externa, além de a fiscalização encontrar bares da periferia descumprindo o decreto de fechamento do estabelecimento até as 20h. “Por enquanto, não estamos realizando penalidade para pessoas físicas, mas aqueles comerciantes são responsáveis pelo atendimento nos seus locais”, explica. As primeiras vistorias são de caráter educativo, com orientações sobre as normas do novo decreto. “Essa vai ser uma semana muito intensa de orientação e de notificação para quem não cumpre, podendo ter sanção e, dependendo do caso, até a cassação do alvará”, acrescenta.
Na semana anterior, 12 estabelecimentos cujas atividades não estavam permitidas por decreto receberam infrações ou interdições. O secretário afirma que está seguindo protocolos das autoridades de saúde e que o município possui o COE (Centro de Operações e Emergências), constituído de membros de diversas áreas. “O intuito não é prejudicar as atividades econômicas, o momento ainda é de cautela, não é momento de pânico, desespero, estamos com o número relativamente baixo, infelizmente, tivemos esse óbito nessa semana.”
ÓBITO
No mesmo dia em que retornava as atividades comerciais, Arapongas registrou um óbito por Covid-19. A vítima, um senhor de 79 anos que não tinha comorbidades. “Ele estava em isolamento domiciliar desde a segunda quinzena de março, mas mantinha contato com pessoas que iam visitá-lo. Trabalhamos com a hipótese de que uma dessas pessoas tenha sido a transmissora para esse senhor”, afirma Paludetto Júnior.
O secretário enfatiza a importância de não subestimar a doença, contando que essa vítima passou por todos os processos possíveis na busca por recuperação, inclusive o uso da cloroquina, medicação que está sendo testada em pacientes com Covid-19. “Ele teve acesso a leito, teve acesso a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), teve acesso a medicamento, essa pessoa teve acesso a todos os meios possíveis, que poderia ser curada, mas infelizmente não resistiu. Não podemos diminuir a doença como uma coisa simples, porque não é”, afirma. Ele conta que ainda há um movimento muito grande nas ruas, com aproximadamente 10% da população transitando sem necessidade e atribui a falta de consciência a esse comportamento.

DADOS
Arapongas tem 9 casos confirmados, 1 óbito e 14 em investigação. O Honpar (Hospital Norte do Paraná) tem 20 leitos de UTI e 40 de enfermaria destinados exclusivamente a pessoas com novo coronavírus e, atualmente, a taxa de ocupação é baixa. “É um hospital de referência estadual e recebe pessoas de outras cidades. No início da semana, a taxa de ocupação estava em torno de 15%. Tínhamos apenas três pessoas nesses 20 leitos, então, estamos com uma capacidade de suprir a necessidade em que estamos vivendo”, defende.
O secretário prevê aumento de casos nos próximos 40 a 60 dias, mas que há um controle para que o número não suba desordenadamente. Em todo caso, foi solicitado um estudo para a implantação de um hospital de campanha de pequeno porte com cinco leitos de UTI e 10 de enfermaria a ser alocado em um dos prontos atendimentos.


