Arapongas ainda sofre com a falta d'água
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terça-feira, 07 de outubro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Arapongas O casal Célia e Nelson Deodoro Domingues passou o final de semana na seca. Eles moram num prédio na Rua das Pombas, Região Central de Arapongas (Norte), e ontem pela manhã mal conseguiram escovar os dentes. Conforme Célia, o fio de água que saía pela torneira tinha coloração amarelada, o que a levou a comprar galões de água potável. Também vi um caminhão-pipa distribuindo água numa clínica ginecológica aqui da rua, comentou, lembrando que desde que se mudou para a cidade, há sete meses, tem sofrido com a falta dágua.
Conforme informações da assessoria de imprensa da Sanepar, a empresa concluiu o reparo na tubulação que comprometia o abastecimento e a distribuição de água foi retomada por volta das 15 horas de anteontem. O rompimento ocorreu na manhã de domingo, em uma tubulação da Captação de Água do Ribeirão dos Apertados. A normalização do sistema deveria ter ocorrido durante a madrugada de ontem. Para aplacar o problema, a Sanepar colocou caminhões-pipa à disposição de hospitais, clínicas, escolas, asilos e creches para garantir o fornecimento de água tratada.
Poluição Ainda não foi localizado o foco de um provável lançamento de produto químico na bacia do Ribeirão dos Apertados, que tem deixado a população de Arapongas sem água desde agosto. Uma força-tarefa foi formada para monitorar a região e no próximo dia 17 a comissão apresentará um relatório final com o resumo das autuações realizadas na Zona Rural da cidade. A Sanepar iniciou ainda vistorias na Zona Urbana, em torno do Ribeirão do Arlindo.
Dados prévios do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) apontam que já foram fiscalizados mais de 110 quilômetros de bacia, totalizando mais de 250 propriedades rurais. Já foram realizadas 80 notificações e as multas superam os R$ 600 mil. Conforme informou a assessoria de imprensa da Sanepar, o laudo, que deveria ter sido concluído no final de setembro, deve ser finalizado nos próximos dez dias, já que o IAP tem recebido diversas denúncias diariamente.
Entre as principais irregularidades da bacia, os fiscais do IAP citaram a falta de mata ciliar em áreas próximas a nascentes e córregos, o lançamento de resíduos sólidos e efluentes a céu aberto, a disposição inadequada de embalagens de agrotóxicos, o desvio de cursos hídricos e a presença de gado em áreas de preservação permanente.
A partir das informações do relatório o grupo gestor formado por órgãos ligados ao Programa de Gestão Ambiental Integrada em Microbacias irá preparar um plano de ações de curto, médio e longo prazo de gerenciamento da bacia dos Apertados. Conforme a diretora de Meio Ambiente da Sanepar, Maria Arlete Rosa, serão realizadas três campanhas quinzenais de monitoramento da qualidade da água e duas campanhas extraordinárias após a ocorrência de chuvas.


