Curitiba - O Centro de Produção e Pesquisa Imunobiológica (CPPI) da Secretaria de Estado da Saúde abriu ontem duas casas-laboratório para monitoramento e controle populacional da Loxosceles - a aranha-marrom. As casas são geminadas e pertenciam a ex-pacientes do Hospital São Roque, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. Equipadas com quatro câmeras (três delas direcionadas para as aranhas e uma para um termômetro que indicará a temperatura das casas), as casas receberam uma população de cerca de cem aranhas - todas elas marcadas previamente pelos pesquisadores.
As aranhas foram inseridas nas casas em dezembro. Uma das casas será limpa diariamente. A outra não apenas terá a limpeza diária, como todos os espaços abertos da casa serão fechados (frestas em portas, janelas, rodapés). ''O que a gente quer demonstrar é que ações básicas podem ser desenvolvidas e que são eficazes na redução da aranha-marrom. Não adianta apenas manter a casa limpa ou dedetizar a casa. Se você encontra uma aranha num determinado local, é necessário que você destrua a casa dela. O buraco tem que ser fechado, o sofá afastado da parede. Você tem que causar uma alteração no lugar onde a aranha mora'', ensinou o pesquisador e biólogo Emanuel Marques Garcia.
As intervenções numa das casas serão feitas por um período de três meses. Depois, os pesquisadores recontarão as aranhas. ''Com isso, ficará demonstrado que ações básicas e elementares podem acabar com a aranha-marrom. É um recurso fácil de ser trabalhado, sem custo, sem risco para a saúde. Nem da picada de aranha, nem de intoxicação química'', considerou o pesquisador.
Nas fases anteriores de pesquisa, foram realizadas algumas descobertas: as aranhas têm uma comunicação acústica (os pesquisadores demonstraram que as aranhas conversam durante a reprodução sexual) e uma comunicação química (as aranhas se reconhecem pelo cheiro). Outra descoberta é que as aranhas dessa espécie são resistentes a inseticidas nas doses recomendadas. O CPPI produz anualmente desde 2003 cerca de 4 mil frascos de soro para tratamento do envenenamento pela aranha marrom. O Paraná é o Estado que registra o maior número de acidentes de aranha marrom no Brasil. Em 2006, foram registrados 4.690 casos. Neste ano, já foram notificados 1.541 acidentes.

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