Os bombardeios ao Iraque, que surpreenderam o mundo todo esta semana, também afetaram a comunidade árabe em Curitiba. Manifestações de repúdio aos Estados Unidos foram uníssono, não só na voz de líderes religiosos mas também do povo. Na sexta-feira, um protesto no Centro de Curitiba incluiu pombos para simbolizar a paz.
O presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, Kamel Mansur, defende que o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, sofra ‘‘pessoalmente’’ atentados para vingar o sofrimento do povo iraquiano por causa dos bombardeios. ‘‘Desejamos que estas lideranças negativas sejam alvo de atentados. Mas que eles não atinjam o povo norte-americano, que também é vítima de seu governo’’, comentou Mansur.
Cerca de 50 mil descendentes de árabes vivem no Paraná. As maiores comunidades estão concentradas em Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu. Os ataques dos Estados Unidos e da Inglaterra foram recebidos com ‘‘repúdio e revolta’’ pelos ‘‘patrícios’’, comunicou Kamel Mansur.
Marcelo AlmeidaVingançaKamel Mansur: o povo norte-americano também é vítima de seu governoPara ele, ‘‘esse bombardeio é capaz de levar a negociações favoráveis para o presidente norte-americano em seu processo de impeachment’’. Segundo ele, os ataques ordenados por Clinton nada mais são do que estratégia para afastá-lo do processo de impeachment. ‘‘Um provérbio árabe diz que a desgraça de alguns beneficiará a outros’’, observou Mansur.
A definição de quanto tempo vão durar os ataques aéreos contra Bagdá só vai acontecer depois do resultado do processo de impeachment, ressaltou Mansur. ‘‘Essas operações só estão provando que os Estados Unidos querem ser a polícia do mundo’’, assinalou. O presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana no Paraná acha que os Estados Unidos estão espalhando o medo diante de sua postura hostil de atacar sem data, nem hora marcada, em qualquer parte do mundo.
A situação no Iraque, por causa do embargo econômico decretado contra o país desde a invasão do Kuwait, em agosto de 1990, piorou as condições de saúde da população. Kamel Mansur, que teve uma parente que visitou o Iraque recentemente, disse que cerca de 1 milhão de crianças iraquianas já morreram de fome desde 1991. O controle dos Estados Unidos sobre o Iraque é tão rígido que vôos aéreos entre uma província e outra do país têm que ser autorizados pelos norte-americanos.
‘‘Apesar de termos um pouco de divergência com relação a política do presidente Saddam Hussein, que causou a guerra entre Irã e Iraque e a invasão do Kuwait, estamos ao lado dele neste momento’’, considerou Mansur.

mockup