Edinelson Alves
De Rolândia
Especial para a Folha
A Organização Mundial de Saúde classifica o alcoolismo como uma doença. O caso é tão grave que, segundo estatísticas, 10% da população brasileira sofre da dependência de bebidas alcoólicas. O vício é responsável por inúmeros problemas sociais desde separação de famílias, perda de empregos, acidentes de trânsito, brigas, crimes, entre outros. Mas a doença tem cura. Na Associação de Recuperação do Alcoólatra (ARA) de Rolândia, anteontem à noite, sete sócios receberam medalhas e troféus por conseguir vencer, por até 23 anos, a dependência do álcool. Famílias inteiras, emocionadas, choravam e se abraçavam durante a comemoração. Sócios das ARA de Nova Fátima e Cornélio Procópio também participaram.
‘‘Na ARA morre um bêbado e nasce um homem.’’ A frase tem se revelado uma verdade na vida de dezenas de pessoas que passaram pela instituição. O presidente da ARA de Rolândia, João Pedro Ferreira, testemunhou que há 21 anos se libertou do vício. ‘‘Para eu entrar aqui pela primeira vez foi o maior sacrifício. Depois de tantos anos bebendo, não acreditava que teria condições de me libertar da dependência. Mas graças a Deus e ao ARA eu pude experimentar a libertação’’, disse.
Ferreira destacou o sofrimento do dependente e, principalmente, da família. ‘‘Por muitas vezes fui levado para casa no carro da Polícia. Era um sofrimento diário. Partindo da minha experiência, e da de tantos sócios que também se livraram do alcool, é que eu afirmo: essa doença tem cura. Basta a pessoa ter muita fé, força de vontade e apoio’’, afirmou.
Também receberam o troféu por 21 anos de abstinência Raimundo Gonçalves de Oliveira e Angelo Galindo. Augusto Rodela testemunhou: ‘‘Estou livre do álcool há 23 anos, dois meses e sete dias. Só Deus sabe o que fiz os meus familiares passarem nos anos em que estive como dependente. Minha vida era um inferno. Toda minha família sofria, a esposa e as filhas porque elas não tinham em casa um marido ou um pai, mas um bêbado inconsequente que não media palavras nem atitudes. Mesmo assim eu me julgava um bebedor social. Graças a Deus e ao ARA fiquei livre desse vício maldito que afeta tantas pessoas’’.

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