Nos últimos 269 dias, a qualidade do ar medida no pátio da Santa Casa de Curitiba pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) variou entre regular e inadequada em 81% das medições. Apesar do que mostram os relatórios, a chefe da Divisão de Tecnologia Ambiental do IAP, Ana Cecília Nowacki, diz que a qualidade do ar no Centro de Curitiba varia de regular a boa e que os resultados negativos estão relacionados a obras nas proximidades do medidor. A dispersão de poluentes fica ainda mais difícil com as baixas temperaturas.
O equipamento instalado na Santa Casa é o único que mede a qualidade do ar na cidade. Um motor succiona o ar, que passa por uma solução líquida e por um filtro de papel. A solução e o filtro são coletados diariamente para análise em laboratório, para avaliar a quantidade de dióxido de enxofre, que vem da combustão do óleo diesel, fumaça e material particulado. A mesma medição é feita em três pontos de Araucária, onde a qualidade do ar tem sido considerada boa, nos aspectos avaliados.
Segundo Ana Cecília Nowacki, a construção da Rua da Cidadania na Praça Rui Barbosa, do relógio dos 500 anos e até as obras nos jardins da Santa Casa provocaram o alto índice de material particulado nas medições. Por isso é importante instalar outros medidores em diferentes pontos da cidade e acompanhar também outros parâmetros de poluição, exigidos pela nova lei ambiental.
No outono e no inverno ocorre a inversão térmica, o que dificulta a dispersão dos poluentes. ‘‘Perto do solo está frio, mas a próxima camada de ar é mais quente e quando os poluentes sobem não conseguem passar e voltam’’, explica Ana Cecília.
Mais três estações medidoras vão ser instaladas até o final do ano em Curitiba, em parceria com o Laboratório Tecnológico da Copel - uma delas deverá ficar na Cidade Industrial. O IAP pretende colocar ainda mais duas estações na Região Metropolitana - uma delas em São José dos Pinhais, para avaliar o efeito da atividade das montadoras de automóveis sobre a qualidade do ar. Os novos medidores serão automáticos, o que vai dispensar a coleta diária das amostras. Os equipamentos vão verificar a incidência de ozônio, carbono, hidrocarbonetos e partículas inaláveis.
O monitoramento da qualidade do ar é feito desde a década de 80 em Curitiba. A chefe de Divisão de Tecnologia Ambiental do IAP diz que a prefeitura tem tomado as medidas recomendáveis para conter os problemas de qualidade do ar. ‘‘Incentivar o uso do transporte coletivo e criar áreas verdes são as únicas formas de evitar estes problemas. Em situações mais graves, o rodízio de automóveis é recomendado, mas não é o caso de Curitiba’’, conclui.

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