O Relatório de Impacto Ambiental da exploração do Aquífero Karst deve ser apresentado apenas no próximo ano, apesar de já estar em funcionamento. O Ministério Público Federal estabeleceu prazo até julho para o relatório. ‘‘Apresentamos o EIA/Rima no ano passado, mas ele foi rejeitado por insuficiências técnicas’’, disse o gerente de Hidrogeologia da Sanepar, Arlineu Ribas. Segundo ele, o IAP e o Ibama pediram que o documento fosse apresentado novamente depois da conclusão dos estudos.
Ribas disse que o impacto ambiental só poderá ser calculado depois que o projeto de pesquisa definir onde estarão os pontos mais favoráveis para a exploração e em quais condições deverá ser feita. ‘‘Deveria haver a preocupação de se fazer o Rima nas demais ações que envolvem o Karst, como urbanização e construção de estradas.’’
O Ministério Público recomenda ainda a diminuição da captação de 450 para 150 litros por segundo, e limita o campo de testes à área já explorada. O documento fala que a Sanepar tem intenção de abrir novas áreas de exploração, como Boicininga e Várzea do Capivari. ‘‘Essas duas áreas sempre estiveram no programa e têm inclusive poços em funcionamento’’, disse Ribas. Quanto à diminuição da captação de água, Ribas disse que ela é determinada pela pesquisa que está sendo feita. Na região de Colombo, por exemplo, a Sanepar pretendia retirar 600 litros por segundo. Teve de diminuir para 200 litros.
A Sanepar encaminhou o documento do Ministério Público para os parceiros do projeto e para a Câmara Técnica de Colombo para avaliação.
Encontro - Ontem, no último dia do II Workshop Projeto Karst, os participantes visitaram a área do Karst em Colombo. O grupo esteve em seis locais. ‘‘Queríamos mostrar os poços, a geomorfologia da região e a utilização da água em diversos setores para os técnicos e a comunidade’’, disse o geólogo da UFPR, Donizeti Giusti.
Um dos locais visitados foi a propriedade do agricultor Aluizio Fiorese, 24 anos, no bairro São João. O agricultor foi prejudicado com a exploração do aquífero. A água para irrigação da plantação de Aluizio vinha de um rio a 800 metros da propriedade. Com a captação da água do Karst, o rio secou. ‘‘Tivemos que retirar água de um rio a 1.600 metros da propriedade, mas a quantidade não era suficiente.’’
Depois de um ano de conversas com a coordenação do projeto Karst, foi instalado um poço na propriedade para irrigação. A cada hora, podem ser retirados, no máximo, 20 mil litros. Segundo o geólogo Marcos Guarda, da Sanepar, a empresa construiu, desde o ano passado, três poços para atender 12 famílias. Há também 30 obras de sistemas compartilhados para compensar pessoas prejudicadas pela exploração do aquífero.

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