Aquífero pode evitar desabastecimento
Lúcio Flávio Moura
De Londrina
O prefeito de São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), Adevilson Gouveia (PFL), reuniu-se ontem em Curitiba com o presidente da Sanepar, Carlos Afonso Teixeira de Freitas, com o objetivo de pressionar a estatal a solucionar o problema de desabastecimento de água na cidade.
Vivemos uma situação crítica. Sei do drama da população, porque minha casa também está sendo atingida, diz o prefeito. Gouveia afirmou que a Sanepar se comprometeu, em regime de urgência, a perfurar um poço para prospectar água do Aquífero Botucatu (reserva de águas profundas). A Sanepar já tem o projeto pronto e deve executá-lo em 30 dias.
Segundo Milton Borghi, gerente da Unidade de Cornélio Procópio, o novo poço aumentará a oferta de água no município em 50%. O problema se agravou nos últimos meses em consequência da estiagem e mais ainda nas últimas semanas com as obras de interligações na rede, explica o gerente.
Esta semana, a Câmara Municipal também se pronunciou contra o problema (que atinge 7 mil pessoas), enviando ofício à Sanepar reivindicando medidas urgentes. A cidade cresceu e a oferta de água diminuiu. Alguma providência deve ser tomada logo, defende o vereador José Augusto Cunha (PFL).
No início da década, com perímetro urbano menor, São Sebastião da Amoreira era abastecida apenas por duas nascentes nos arredores da cidade. Uma destas minas secou e foram perfurados dois poços artesianos, cuja oferta de água não é mais suficiente para todos os moradores. As áreas mais afetadas com o racionamento são os três novos loteamentos da cidade e dois conjuntos habitacionais o Jardim Progresso I e II.
Nestes locais, a água só aparece nas torneiras a partir da meia-noite e desaparece às 7 da manhã. Trabalho de dia, estudo em Cornélio, tenho que chegar em casa à meia-noite e ficar uma hora enchendo uma caixa dágua improvisada porque quando amanhece não tem água de novo, conta o policial militar Luis Gomes dos Santos, 31 anos. Ele diz que desde agosto de 1998 pede providências à Sanepar sem ser atendido.
Outro morador do Jardim Progresso I, Gesnel Ferreira Lopes, 52 anos, funcionário do Hospital Municipal (que também está sendo afetado), lembra que a água chega turva, parecendo água de enxurrada. Trabalho do meio-dia às oito e tenho que esperar até meia-noite para tomar banho, reclama o frentista Fabiano Gaspar, 24 anos.
Com relação aos usuários que reclamam que o serviço de abastecimento era melhor quando era municipal, o gerente regional lembra que até 1991, quando a Sanepar assumiu o sistema, a qualidade da água era péssima, sem nenhum tratamento e a cidade vivia um estado de calamidade pública. Em 1992, com o tratamento padrão da Sanepar, o índice de infeccões gastrointestinal infantil diminuiu 98%, rebate Borghi.





