Londrina – Em uma esquina da zona leste de Londrina, uma chácara em construção preocupa os agentes. "Aqui vai ter foco, com certeza", diz, colocando as luvas e providenciando o "pratinho", onde se despeja a água acumulada nos recipientes para verificar a presença de larvas.
É nessa hora que entra o requisito agilidade. Em poucos minutos, eles vão erguendo sacos plásticos, revirando baldes com água, vasos sanitários, até chegar à piscina, onde observam as bordas minuciosamente. "Quando a água está muito suja, usamos o pesca larva", diz, mostrando uma espécie de peneira, que captura as larvas em locais onde não se consegue enxergar, como latas de tinta.
"As pessoas não sabem, mas o mosquito tem resistência à tinta. Na verdade, a fêmea é bem esperta. Ela bota os ovos em local seco, mas que vai acumular água quando chover. A gente fala que é uma espécie de sensor que elas têm", comenta outro agente. Cada fêmea bota em média mil ovos em diferentes recipientes. Esses ovos não podem ser vistos a olho nu e resistem em condições adversas por até 450 dias.
Os agentes de Endemias não sabem dizer quantos quilômetros andam por dia, mas é bastante. Eles encaram o sol de frente com o uso de protetor solar e mangas compridas, mas também carregam o peso de todo o material na bolsa. Eles abaixam e levantam a todo minuto e ainda usam a força para revirar toras de madeira, restos de entulhos, pneus pesados e vasos sanitários.
Pouco metros após a chácara, um terreno também em construção e com muito mato é o próximo local a ser vistoriado. A agente sai na frente sem receio de entrar em locais úmidos, com muita madeira e lixo. "Aqui tem foco", grita a agente enquanto analisa a água acumulada em pneus de caminhão.
Com a ajuda de uma pipeta, ela recolhe uma amostra com larvas e pupas. Enquanto retira o acúmulo, um susto. Uma aranha por pouco não a pica. "Tem que ficar esperto", diz. O pneu é recolhido para um local coberto e recebe veneno. (M.O.)

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