''Aqui sempre tem lugar para mais um''
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segunda-feira, 19 de março de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Há 13 anos, um grupo de pais londrinenses que tinham pela frente o grande desafio de educar uma criança ''especial'' se uniu em torno de um objetivo comum: oferecer atendimento multidisciplinar a portadores da Síndrome de Down. Na época, as novelas não os mostravam no horário nobre e não se fazia campanhas para mostrar que ser diferente é normal. Mesmo assim, eles se nutriram da força do grande amor por seus filhos e se lançaram a um projeto inovador. Nascia assim a APSDown - Associação de Pais e Amigos de Portadores de Síndrome de Down.
Hoje são 120 alunos, entre bebês, crianças, adolescentes e adultos, que recebem assistência psicológica, fonoaudiológica, fisioterapêutica e pedagógica, além de terapia ocupacional e aulas de esportes, que os ajudam a ter qualidade de vida. E se a inclusão ainda é uma idéia nova para muitos, na APSDown é uma luta antiga, que fez da entidade a que tem o maior número de crianças frequentando o ensino regular no Brasil. Em Londrina, são 60 estudantes inseridos nas salas de aula de escolas espalhadas por toda a cidade.
O trabalho é de apoio e acompanhamento: ''Antes do aluno começar a frequentar a escola, vamos até lá para conhecer, conversar com os professores, prepará-los para receber aquela criança. Depois este contato continua'', explica a diretora pedagógica, Bruna Scrivanti Santana. Segundo a pedagoga, a instituição trabalha com a certeza de que todos podem frequentar o ensino regular. ''Há casos em que a criança tem uma dificuldade maior de adaptação. Então intensificamos os trabalhos de preparação, com acompanhamento pedagógico diário, para que a inclusão se torne viável.''
A assistente social da associação, Neusa Hernandes Fernandes, lembra que antigamente havia um consenso de que a criança só deveria ir para a escola quando se mostrasse preparada, e para entrar no ensino fundamental. ''Hoje, encaminhamos o mais cedo possível, inclusive para as pré-escolas, o que contribui para o desenvolvimento cognitivo da criança.'' Às mães que chegam perdidas à associação, ela costuma dizer que não precisam mudar radicalmente suas vidas. Para isso terão o apoio de uma obstinada equipe de profissionais.
''Estamos sempre administrando a falta de dinheiro, correndo atrás de médicos que possam atender voluntariamente nossas crianças, fazendo malabarismos com a falta de espaço, mas não deixamos de receber ninguém. Se chegar aqui precisando de nosso apoio, nós vamos atender'', garante Bruna. A casa onde está localizada a instituição, na Rua Ribeirão Preto (Jardim San Remo, Zona Oeste), abriga 13 salas, e já está pequena. ''Foi a maior casa que conseguimos alugar na cidade, mas já estamos sendo obrigados a fazer improvisações'', diz uma das diretoras, Janeth Shibayama. O grupo de mães, por exemplo, está sendo trabalhado na garagem da casa.


