No distrito rural de Ibiaci, que pertence a Primeiro de Maio, a grande maioria dos habitantes trabalha como bóia-fria. Porém, outra profissão está se tornando característica na região: aproximadamente 20 famílias vivem da venda de iscas, principalmente lambaris, pitus e truviras.
Pelas ruas do distrito, várias casas tem placas que indicam a venda de iscas, mas todos que foram procurados pela reportagem negaram que tinham o produto para comercializar. Somente um senhor, que não quis se identificar, admitiu que tinha alguns camarõezinhos para vender, mas temia a fiscalização. ''Todo mundo está com medo por aqui'', explicou.
Em um dos pontos mais nobres para a venda de iscas de Ibiaci, bem às margens da rodovia, o aposentado Bento de Oliveira, 53 anos, montou seu ponto há oito anos. Sentado na varanda, observando o pouco movimento da estrada, ele disse que espera com paciência e ansiedade pelo fim da piracema, no dia 1º de março, quando a pesca volta a ser liberada.
''No momento estamos vivendo um fracasso total, estou me virando com a aposentadoria e não tenho dinheiro pra nada, mas temos que respeitar as recomendações do IAP, por isso não tenho nada de isca para vender. Aqui tem muita gente que depende da pesca'', relata.
Ponto de referência de venda de iscas para quem se dirige às águas da Represa Capivara, Oliveira tem um plantel diversificado para oferecer. Além dos lambaris, que ele vende por R$ 20,00 o cento - em tempos de pesca liberada vende 4 mil em um fim de semana - e dos pitus, que custam R$ 5,00 a porção de 200 gramas, o vendedor oferece ainda caranguejos e caramujos.
Os caranguejos são capturados ali mesmo, na própria Represa Capivara. ''Eles fazem tocas na lama que é formada pelas cheias, para capturá-los é preciso localizar onde estão, no meio do barro'', ensina o vendedor de iscas. A dúzia do caranguejo é vendida por R$ 7,00. Com esse tipo de isca é possível capturar pacu e piauçu. Os caramujos também são encontrados na represa, a dúzia custa R$ 5,00. O peixe que mais se pega com essa isca é o pacu.
Isca em abundância no distrito, somente no Porto Beira Rio, uma estância de pesca, na beira da represa. O proprietário é José Carlos Barbosa, que oferece toda a infra-estrutura para que a pescaria seja a melhor possível. Além de alugar chalés, barcos, motores e vender refeições, ele é um dos únicos que pode vender as iscas em tempos de piracema.
''Os meus lambaris são todos vendidos com nota fiscal, compro de um criadouro em Rancho Alegre (SP). Os camarões eu compro antes de fechar a pesca e congelo. Neste ano armazenei 200 litros para garantir a isca para meus clientes'', relata Barbosa.
Conversando com outros vendedores de iscas, a reportagem apurou que a grande maioria não captura o lambari na Represa Capivara, mas recebe os peixes do mesmo fornecedor que abastece o Porto Beira Rio, porém a condição de informalidade não permite que vendam as iscas com nota fiscal. (W.S.)

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