Aqui era muito tranquilo

O nome Heimtal vem do alemão e significa "Vale da Vida". Significado esse que traduz muito bem o tamanho da importância da comunidade na vida da dona Nair Caponi Fatoleni, de 83 anos. Nascida em Jacutinga, no interior mineiro, ela veio de Pouso Alegre, no mesmo estado, a Londrina, aos 16 anos. "Toda vida gostei muito daqui. Construímos a vida nesse lugar e é muito bom. Tenho até bisneto com 27 anos que ainda mora no Heimtal. Só saio daqui direto para o cemitério", garantiu a idosa, que mora há quase 60 anos na mesma casa, localizada na Avenida Ludwig Ernest. "Tem muita gente que mudou, fez a vida e agora voltou, porque é muito gostoso", continuou.
Marcos Strass é uma dessas pessoas. Filho de pioneiros, o empresário de 49 anos nasceu e passou toda sua infância no Heimtal. "Aqui era muito tranquilo. Ficávamos o dia todo de bermuda e sem camiseta. A gente só colocava uniforme para ir à escola", resgatou. Por ali, também construiu sua carreira, trabalhando na fábrica de embutidos da família entre 1993 e 2007, quando saiu para se tornar professor. Desde então, também mudou-se para o centro de Londrina. Mas há um ano e meio, a ligação foi restabelecida para administrar o comércio de embutidos, agora instalado em uma construção de 47 anos, próximo à entrada do patrimônio. "Tenho intenção de voltar, mas não é prático. Tem o trânsito e o resto da família consolidada em Londrina. Sinto falta, as pessoas aprendem a gostar daqui", disse. "A dificuldade é a convivência coletiva, não vemos mais as pessoas brincando na praça, onde a gente jogava bola quando moleque", lamentou.
Além da capela, do comércio da família Strass e da escola, o Circuito Histórico, que será realizado no domingo (10), inclui o Córrego Mosel, o campo de futebol, o cemitério o primeiro de Londrina e o local onde funcionou a primeira Igreja Luterana da cidade. O passeio guiado é gratuito, está aberto à participação de pessoas de todas as idades e começa às 8h30, no Restaurante Porco no Tacho. "Queremos promover uma reflexão sobre a importância do patrimônio histórico e da memória no processo de construção da identidade", indicou a integrante do apoio pedagógico de História da Secretaria Municipal de Educação, Eliane Candoti. (R.S.)





