'Aqui é a lei do não sei, não vi'
Curitiba O morador E., 70 anos, que trabalha com material reciclado, contou que impera na Vila Parolim a lei do silêncio. ''A gente vê as mortes acontecendo, conhece os traficantes, mas não pode falar nada. A gente vê e finge que não vê'', apontou ele. Um casal de comerciantes resolveu proteger seu patrimônio e só faz vendas através das grades.
Para S., 46 anos, a violência é crescente. Entretanto, ele explicou que existe um código de ética entre os moradores para evitar mortes de inocentes. ''Moro aqui há 13 anos e nunca fui assaltado. Mas faço isso, mantenho distância. Aqui é a lei do não sei, não vi, não conheço. É bom fazer isso. Caso contrário, posso dormir cedo no cemitério'', contou.
Em outro estabelecimento, nem mesmo a falta de grades atraiu a ação de marginais. Para a dona do comércio, I., 51 anos, a explicação é simples: respeito e silêncio. ''Aqui dentro todo mundo se respeita e tudo mundo fica quieto. A gente não se envolve com eles (os traficantes) para não amanhecer com a boca cheia de formiga. Ninguém mexe com ninguém e o convívio é positivo'', disse a moradora.
A polícia já mapeou a vila e diz que a criminalidade é alta na região. Além do tráfico de drogas, que já dominou a vila, existem muitos registros de homicídios, furtos, roubos, receptação de produtos furtados.(L.P.)





