Há 16 anos na beira da pista, Paulo Silva, de 50 anos, acredita que em pouco tempo a atividade de chapa vai desaparecer. "Antes paravam dois, três caminhões de uma vez. Hoje, você precisa ficar esperando o caminhoneiro ligar. Tem caminheiro que está trazendo a mulher para bater a carga para não ter que pagar o chapa e economizar dinheiro", comenta.
Silva era carpinteiro e conheceu os chapas durante um trabalho realizado em um evento. "Comecei pegando experiência. O que ganhava aqui (beira da estrada) em 15 dias, precisava trabalhar 30 dias na obra e não tinha que cumprir horário. Aqui cada um é seu patrão e faz o seu salário." Com a crise, Silva pretende sair da pista até o começo de 2017. "Hoje, têm dias que não consigo nenhum serviço. Estou pensando em voltar para a construção."
Valdecir Gomes de Oliveira, de 49 anos, também tem vontade de abandonar a atividade, mas a falta de oportunidade no mercado faz com que ele continue no ponto na BR-369, próximo do Ceasa, na zona leste.
Ele virou chapa depois de algumas reviravoltas financeiras. Oliveira morava no Mato Grosso do Sul, trabalhava com o tio fazendo fotografias artísticas em colégios. "Quando entraram as câmeras digitais quebrou o laboratório de revelação do meu tio. Perdi o emprego, fui trabalhar de servente de pedreiro, ajudante de caminheiro, de tudo que aparecia. Até que decidi voltar para Londrina, tinha contato com os meninos do Ceasa e virei chapa", contou.
Ele explica que para ser chapa é preciso conhecer a cidade, não é só descarregar. "Você precisa conhecer os endereços", disse. Mas ele reclama que o GPS e os aplicativos como Waze têm tirado o seu ganha-pão. "Quando não tinha GPS eles contratavam o chapa para levar lá. Só para largar ele lá cobrávamos um X. Agora com o GPS, ele vai sossegado e o pessoal só faz a descarga", reclama.
Oliveira também acredita que em pouco tempo a atividade vai desaparecer. " Em dois anos não vai ter mais chapa, não." A queda no serviço começou há cerca de um ano. "Ano retrasado ainda estava bom. Está chegando o Natal e está uma paradeira dessa. Antes, nesta época tinha fila de caminhão esperando para contratar o chapa."
Ele costuma ganhar entre R$ 300 e R$ 400 por semana, mas em semanas com feriado o movimento e a renda caem. Solteiro, ele mora com os pais, o que diminui as despesas. "Para mim dá para quebrar um galho. Mas se tivesse família e pagasse aluguel ia ter que dar um jeito de voltar para o Mato Grosso do Sul. Lá o aluguel é mais em conta."
Oliveira não gosta de ser chapa, mas disse que continua no ofício por falta de opção. "Enquanto não arrumo nada, tenho que me submeter a esse trabalho mesmo." Às vezes, ele viaja com o caminheiro para descarregar em outras cidade. No fim de outubro, foi para Cascavel, Medianeira e Foz do Iguaçu, no Oeste do estado. Um caminheiro que estava vindo de São Paulo contratou o serviço. "Viajar é bom. Dá um dinheiro bom. Você combina o valor, incluindo almoço, jantar, hospedagem e passagem de volta." (A.M.P.)

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