''Comecei fumando maconha aos 16 anos. Conheci o Daniel aos 19 e aos 20 já estávamos morando juntos. Ele já era usuário e não tinha quem nos freasse'', conta Bruna. O namorado, Daniel, está internado na ala masculina do Libertad.
Quando a maconha, o álcool e a cocaína já não faziam o efeito esperado, o casal partiu para o consumo de crack. ''Por várias vezes tentamos parar sozinhos e todas as tentativas fracassaram. Já não tínhamos mais nada em casa, vendíamos tudo, furtávamos'', rememorou Bruna, que já havia se internado outras seis vezes em clínicas psiquiátricas, sem sucesso. Hoje Bruna está com brilho nos olhos por causa da nova rotina vivenciada na comunidade. ''Aqui a gente aprende a ter uma vida normal, desenvolvendo a espiritualidade. É preciso crer, não importa no que.
Juliana tem 40 anos e passou boa parte da vida na rua. Para resgatar a dignidade e responsabilidade que um dia já teve, ela buscou ajuda na Comunidade Libertad para aprender a controlar a dependência por crack. ''Já não tinha moral com ninguém, ninguém me respeitava e eu não respeitava minha filha, minha mãe, minha família'', desabafou.
Juliana descobriu-se adicta ao experimentar benzina aos 13 anos. ''Depois passei para a maconha, cocaína até chegar no crack, por influência de amigos e minha mesmo. Você perde a cabeça.'' Para ela, a principal dificuldade de viver em comunidade é ter de respeitar regras. ''Eu tenho muitos defeitos, sempre enfrentei minha mãe, mas se não aprender aqui, não aprenderei em outro lugar.'' (M.G.)

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