Apuração de cemitério de motores terá 4 inquéritos
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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2001
Luciana Pombo e Dimitri do Valle De Curitiba 
O inquérito policial que investiga os responsáveis pelos 165 motores e autopeças enterrados numa área pertencente à Mineradora Brascal, de propriedade do ex-prefeito de Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), João Dirceu Nazzari (PSDB), será desmembrado em quatro procedimentos investigatórios.
A decisão foi tomada ontem pelo delegado de Rio Branco do Sul, Mário Sérgio Bradock, logo após ouvir, por mais de duas horas e meia, o empresário Joarez França Costa, o Caboclinho, preso desde o ano passado na Prisão Provisória do Ahú, em Curitiba. Caboclinho é acusado de ser o mandante de vários assassinatos e de ser um dos principais responsáveis pelo desmanche de carros roubados no Paraná. Ele sabe de muita coisa. Até agora não havia falado porque não sabia em quem confiar, disse o delegado, sem querer adiantar o teor do depoimento.
Além de esclarecer o caso dos motores, Bradock acredita poder desvendar outros quatro assassinatos ocorridos em Rio Branco do Sul. Ele deu o caminho e os nomes. Agora é por nossa conta, avaliou. Com base no depoimento, serão pedidas as prisões preventivas de, pelo menos, três pessoas.
Dos 165 motores encontrados na mineradora Brascal, em junho do ano passado, apenas oito não apresentaram irregularidades. Eles foram periciados pelo Instituto de Criminalística do Paraná. O inquérito que apura as irregularidades foi inicialmente conduzido pelo delegado Sebastião Gaspar, que chegou a indiciar os empresários Paulo Pacheco Mandelli (com prisão preventiva decretada, mas foragido) e Caboclinho.
Vítima Ontem, em entrevista coletiva, em Curitiba, Nazzari disse que está sendo vítima de uma campanha de desmoralização que seria patrocinada pelo atual prefeito de Rio Branco do Sul, Bento Benelli (PTB). Nazari negou ser o mandante da invasão do Fórum da cidade para destruir provas sobre as investigações do cemitério de motores. Nazzari seria dono da área, mas ele diz que o imóvel está em litígio com Benelli.
Não mandei destruir nada, nem sou dono de cemitério nenhum. Sou dono é de uma empresa de calcário, de onde tiro o meu sustento, disse. Nazzari declarou suspeitar que Benelli foi o responsável pelo seu envolvimento no caso. Estão tentando me destruir para que eu não seja candidato de novo a prefeito, mas eu já decidi que não quero mais me meter em política.
Benelli não foi localizado ontem para falar sobre as declarações do rival político. Um assessor do prefeito, que pediu para não ser identificado, rebateu as acusações. O prefeito não tem nada com isso. Se ele (Nazzari) diz que é inocente, ele que prove.
O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná negou ontem pedido de habeas-corpus para Paulo Mandelli, acusado de ser o rei dos desmanches no Estado e foragido da Justiça há dois meses. Ele está com prisão preventiva decretada.


