Arquivo FolhaFrio perigosoTodas as 300 crianças da reserva estão com forte gripe e a Funai teme que a doença evolua para pneumonia, que já matou dois menoresA reserva indígena do Apucaraninha, em Tamarana (65 quilômetros ao sul de Londrina), vai contar com agentes comunitários de saúde. O administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), José Gonçalves dos Santos, informou que um programa de saúde do governo estadual deverá ser implantado na reserva até o final de julho. Haverá contratação de pessoas da comunidade indígena para trabalhar com as famílias do Apucaraninha. ‘‘É um passo importante e vai melhorar o atendimento à saúde dos índios’’, diz Santos.
As equipes da Funai e prefeitura enfrentam resistência das famílias indígenas, que muitas vezes recorrem a orações, remédios caseiros e benzimentos antes de procurar assistência médica. A agente de saúde da prefeitura Nilsilene Machado Magalhães diz que é comum ver crianças chegarem ao posto de atendimento já debilitadas. ‘‘Sempre que podemos visitamos as famílias para ver a situação das crianças, mas muitas casas ficam longe e não temos como abandonar o posto de saúde’’, conta. Cerca de 200 famílias moram na reserva - mais de mil pessoas, na maioria crianças. Muitas delas residem longe do núcleo da reserva, dificultando o acesso das equipes de saúde.
Nas últimas semanas, surgiu um problema grave para os índios: as doenças respiratórias (principalmente pneumonia), que já mataram duas crianças. A Funai está dando prioridade à reserva do Apucaraninha, intensificando os trabalhos na área e fazendo visitas às famílias. Mas, segundo o administrador José Gonçalves dos Santos, muitas não abrem as portas para as equipes da Funai.‘‘Com pessoas da comunidade fazendo as visitas, acreditamos que as famílias vão aceitar melhor o atendimento.’’
Os agentes comunitários de saúde vão passar por um curso especial. Todos eles serão bilíngues (devem dominar o idioma caingangue e o português). ‘‘Os índios são muito reservados. A atuação de membros da comunidade vai dar mais segurança e confiança às famílias, abrindo as portas para um atendimento mais eficiente’’, afirma Santos.
Na semana passada, aumentou de três para cinco o número de crianças internadas com pneumonia, diarréia e vômito no Hospital São Francisco, em Tamarana. Josias Marculino, 1 ano, e Sidney Luiz, 2 meses, foram internados com pneumonia na quinta-feira passada. De acordo com informações do posto de saúde local, cerca de 300 crianças da aldeia, com até 5 anos de idade, estão com gripe forte e correm o risco de desenvolver pneumonia.
Para José Gonçalves dos Santos, a contratação de agentes comunitários de saúde representa a solução de apenas parte do problema. ‘‘A morte das crianças mostrou que o nosso sistema de trabalho na reserva precisa ser repensado’’, disse. Nesta semana deve acontecer uma reunião entre a assistente social da Funai e a equipe da prefeitura que presta atendimento na reserva. Eles pretendem definir novas formas de atuação.
Hoje o atendimento de saúde é feito em parceria pela prefeitura de Londrina e Funai. Um técnico de enfermagem da Funai e uma agente de saúde da prefeitura atuam no posto da reserva. Os dois moram no Apucaraninha e garantem atendimento 24 horas por dia. Duas vezes por semana, uma equipe da prefeitura (médico, enfermeira e odontologista) presta atendimento no posto de saúde. Uma enfermeira e uma assistente social da Funai visitam regularmente a reserva.

mockup