Segundo o secretário de Segurança José Tavares, unidade para abrigar 400 detentos será construída no município - ou região - ‘‘o mais rápido possível’’
Apucarana - O secretário estadual de Segurança Pública, José Tavares, esteve ontem à tarde em Apucarana participando de uma audiência pública com autoridades e representantes de diversos setores, onde anunciou a construção de uma nova penitenciária no município ou na região, ‘‘o mais rápido possível’’.
A nova penitenciária, segundo o secretário, está orçada em R$ 8 milhões e deverá comportar 400 detentos. ‘‘Será uma prisão absolutamente segura e humana, que observa os princípios éticos e morais de uma sociedade, que estão expressos na Lei de Execuções Penais’’, assegurou. O projeto da penitenciária foi elaborado pelo arquiteto, e governador, Jaime Lerner (PFL).
O governo prevê que o preso exercerá atividade profissional remunerada, terá direito à redução de pena (um dia a menos para cada três trabalhados), educação, assistência médica, odontológica, psicológica e jurídica. ‘‘Com isso, a prisão deixa de ser um barril de pólvora’’, avaliou Tavares. Assim que for definida a localidade que receberá a prisão, a construção terá caráter emergencial e deverá ser inaugurada em 180 dias.
Para Tavares, a nova penitenciária só trará vantagens. Mas, a população de Apucarana não vê a obra com bons olhos. O principal temor é que a penitenciária, a médio prazo, passe a receber presos de outras regiões do Estado e passe a registrar superlotação, rebeliões e fugas. O secretário argumentou que não poderia fazer previsões a médio prazo, porque ficará no cargo até o final do ano e que ‘‘gostaria de viver num mundo onde não houvesse a necessidade de construir presídios’’.
Antonio Ribeiro, representante de 12 entidades de profissionais liberais e que lidera a coleta de assinaturas num abaixo-assinado contra a construção da penitenciária afirmou que ‘‘a imensa maioria da população’’ de Apucarana é contra a obra. Em dois meses, a iniciativa já conta com o apoio de 25 mil pessoas. ‘‘Essa obra é um despropósito e a cidade não tem necessidade de uma prisão para 400 detentos’’, apontou.
Ribeiro disse ao secretário que visitou a penitenciária inaugurada em Maringá, onde constatou que ‘‘a comunidade vizinha vive assustada e com medo dos próprios policiais’’. Outro problema, segundo ele, é que o esgoto produzido pelos presos é jogado, sem tratamento, num córrego do distrito de Paisandu. Tavares disse que desconhecia o problema e que iria tomar providências ainda ontem.
O prefeito de Apucarana, Valter Pegorer (PFL), embora tenha se mostrado bastante receptivo à idéia, preferiu manter a neutralidade. ‘‘Se me perguntarem se sou favorável à construção da penitenciária, direi que sou favorável à recuperação do ser humano. Se me perguntarem se quero que seja construída em Apucarana, direi que quero que esteja em algum lugar onde o preso possa ser tratado como ser humano.’’

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