Apucarana pede afastamento de policiais
Maurício Borges
De Apucarana
Em manifesto público divulgado ontem, juízes e promotores da Comarca, representantes da subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Associação Comercial e Industrial e do Conselho Comunitário de Segurança pediram o afastamento da cúpula da Polícia Civil de Apucarana. O manifesto está sendo remetido ao Governador Jaime Lerner, ao presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, Corregedoria-Geral de Justiça, Secretaria de Segurança Pública, Corregedoria-Geral da Polícia Civil e Procurador-Geral de Justiça.
No documento, aprovado em reunião realizada anteontem à noite na sala de audiências da Vara Criminal, no fórum, as autoridades também solicitam o afastamento de investigadores (policiais civis) suspeitos de envolvimento em crimes. Junto com o pedido reivindicando a substituição de delegados e investigadores, foram juntadas cópias de processos criminais e reprodução de jornais que retratam a onda de violência que está ocorrendo na cidade.
Membros do judiciário, do Ministério Público e de setores organizados da sociedade argumentam que uma onda de assaltos, furtos e assassinatos que na maioria dos casos ficam sem solução está assustando a comunidade, causando insegurança.
Um processo na Justiça já resultou no pedido de prisão provisória dos investigadores Cézar Spack e Antônio da Cruz, que estão recolhidos na sede do 10º Batalhão da Polícia Militar. Outro investigador envolvido no caso, Wilson Cardoso Aguiar, continua foragido. O delegado operacional João Aquino também é acusado de envolvimento no golpe.
Os investigadores e o delegado foram denunciados por Márcio José Vasconcelos e João Mosson. Os dois são integrantes de uma quadrilha que aplicou um golpe de R$ 90 mil, em julho, em Apucarana. Um empresário de São Luiz (Maranhão) foi mantido em cárcere privado, até que a quadrilha conseguisse sacar o dinheiro num banco.
Policiais de Apucarana também são acusados de envolvimento com uma quadrilha que furtava e roubada tratores e implementos agrícolas no Norte do Estado, e ainda de darem cobertura em golpes do tipo 3x1.
Procurado ontem pela Folha, o delegado-chefe da 17ª Subdivisão Policial (SDP), Otacílio Bovolin declarou que não iria se manifestar sobre o pedido de afastamento. Será que minha saída resolve o problema da violência e do aumento da criminalidade na cidade?, indagou.
A mobilização da sociedade contra o aumento da criminalidade em Apucarana, foi desencadeada a partir da morte do estudante de direito Anderson Gomes Ferreira, 19 anos, ocorrida segunda-feira à noite, num assalto praticado na Padaria Brasil, na área central, por uma gangue de motoqueiros. Depois de levar o dinheiro do caixa e de alguns clientes, os assaltantes saíram atirando, acertando dois jovens.
Anderson estava numa academia de capoeira, ao lado da padaria, e foi atingido nas costas, falecendo quatro horas depois. Diego Garcia Alves, 20 anos, recebeu um tiro no peito, quando chegava ao estacionamento da padaria. Ele já saiu da UTI do Hospital da Providência, e recupera-se bem.





