Maurício Borges
De Apucarana
O caso da menina Raquel Cerqueira dos Santos, 3 anos, que morreu na segunda-feira depois de esperar cinco horas por uma vaga para internamento hospitalar, provocou ontem uma mudança no sistema de encaminhamento de pacientes para os hospitais conveniados do Sistema Único de Saúde (SUS), em Apucarana.
A criança morreu no Pronto Atendimento Médico (PAM) quando aguardava uma vaga no Hospital da Providência, que estava de plantão e com o setor de pediatria lotada. O atestado de óbito indica que ela morreu por parada cardiorrespiratória em consequência de broncopneumonia e edema pulmonar agudo. A assessoria jurídica do hospital informou em nota à imprensa que a Central de Leitos não comunicou que se tratava de um caso de emergência ou urgência.
A decisão relacionada à mudança no sistema de internamento foi anunciada à tarde, após uma reunião do secretário de Saúde, Carlos Alberto Gebrin Preto, com os diretores clínicos e administrativos dos hospitais Santa Helena e Providência. Segundo Preto, passará a vigorar uma norma da Secretaria Municipal de Saúde, amparada numa resolução da Secretaria de Estado, visando eliminar entraves burocráticos e tornar o processo de internamento mais ágil, sobretudo em situações de emergência ou urgência médica.
Os familiares da criança não registraram queixa na 17ª Subdivisão Policial mas denunciam que houve omissão de socorro à menina.
O secretário explicou que, a partir de agora, o médico do Pronto Atendimento Municipal (PAM) irá manter contato direto com o médico do hospital que estiver de plantão. ‘‘O objetivo é acertar de imediato os termos do internamento para depois comunicar a Central de Leitos’’, disse.
Ainda ontem pela manhã, em entrevista coletiva, Carlos Alberto Gebrin Preto informou que uma sindicância administrativa já está investigando todo o percurso feito pelos pais da criança dentro do sistema de saúde pública. ‘‘Nós vamos verificar tudo o que ocorreu, apurando se houve falha ou negligência no atendimento, bem como a responsabilidade no caso’’, afirmou Preto. Ele disse que todo o trabalho será acompanhado pelo Ministério Público, através do promotor Eduardo Matni.
O prefeito Carlos Scarpelini (PSDB) também exigiu rigor na apuração dos fatos. Ele anunciou que se for comprovada falha no PAM vai haver punição e encaminhamento do caso à Justiça.Morte de criança que esperava atendimento pelo SUS motivou a mudança; médicos terão que informar hospitais sobre os casos
Odair StraliottREVOLTAÉdson e Sandra, padrasto e mãe de Raquel: ‘‘Ela não podia ter sido liberada no domingo’’O secretário Carlos Alberto Preto

mockup