Apucarana lança projeto para recuperar o Caviúna
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terça-feira, 15 de setembro de 1998
Maurício Borges 
O preocupante quadro de degradação do Ribeirão Caviúna, principal manancial de abastecimento de Apucarana, está unindo segmentos organizados da comunidade, num projeto destinado a recuperar o rio e garantir a melhoria da qualidade da água. Também está incluída nesta ação coletiva, a recuperação das nascentes do Rio Pirapó que, através de uma nova captação, servirá como alternativa de abastecimento.
O projeto foi apresentado ontem, em reunião convocada pelo Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (SEAB) e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), obtendo imediata adesão de várias entidades. Confirmaram adesão Rotary, Lions, Grupo Ambientalista e Interdisciplinar de Apucarana (Gaia), escoteiros, Associação Comercial e Industrial, Núcleo de Educação e Prefeitura de Apucarana.
A idéia de desenvolver esse trabalho nasceu a partir dos constantes problemas de abastecimento de água verificados em Apucarana nos últimos anos. Com a degradação do Caviúna, a chuva um pouco mais forte provoca a interrupção na captação, por causa do grande volume de terra e outros resíduos sólidos que vão para o leito do rio.
Essa situação já levou a Sanepar a iniciar a construção de uma captação alternativa, junto ao Rio Pirapó. O anúncio foi feito pelo gerente regional de Apucarana, Roberto Takashina, revelando que num prazo de 90 dias este sistema poderá ser acionado quando necessário.
Ao expor ontem o projeto de recuperação do Caviúna e das nascentes do Pirapó, o chefe do núcleo regional da Seab, Wilson Gealh, explicou que o objetivo é deixar para trás os culpados pela degradação dos rios e trabalhar alternativas visando recuperá-los e garantir água de boa qualidade. O objetivo é garantir a proteção dos rios, reconstituindo sua mata ciliar numa faixa de 30 metros em cada uma das margens.
De acordo com estimativas preliminares, em relação ao Ribeirão Caviúna serão necessárias 230 mil mudas de essências nativas num trajeto de 18 quilômetros, disse Wilson Gealh. Esse trabalho deverá ser executado num prazo de 5 anos. As mudas, na sua maioria de árvores frutíferas silvestres, estão sendo produzidas no Viveiro da Prefeitura de Apucarana.
A proposta é desenvolver um trabalho administrado e coordenado pelas próprias lideranças comunitárias. Desta forma, sua continuidade não seria prejudicada por alternâncias de poder no município ou no Estado, explicou Gealh. Terça-feira, técnicos do IAP e da Seab irão acompanhar representantes do Lions, Rotary, Grupo Gaia, escoteiros e outras entidades, em visitas à propriedades rurais cortadas pelo Ribeirão Caviúna.


