Apucarana em flor
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sábado, 13 de agosto de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Entre a flor e o homem existe uma essência semelhante, que se desprende em pouco tempo. Tão intenso quanto frágil, esse perfume de vida se apaga rapidamente. Sobram apenas as impressões. O observador treinado nas coisas, que só pela essência têm sentido, poderá comtemplar na florada das cerejeiras, árvore símbolo do Japão e um ícone de Apucarana (cidade-pólo/Centro-Norte), algumas dessas impressões, que chegam com o inverno e não vão embora com o vento, que derruba as flores em poucos dias.
Esculpida na filosofia oriental, a tradição do cultivo das cerejeiras chegou a Apucarana em 1982, quando pioneiros japoneses plantaram as primeiras 100 mudas na Associação Cultural e Esportiva de Apucarana (Acea) e no Parque Jaboti. Atualmente pelos bosques de cerejeiras da cidade, a lenda da árvore ornamental e os samurais - guerreiros do Japão feudal - ainda anda na memória coletiva dos moradores, que mesmo sem conhecer direito a história, a reproduzem, como um marco dos imigrantes na região. Na tradição oriental, a flor de cerejeira é o samurai, espreitado pela morte em cada batalha, assim como acontece com a florada, que morre no vento.
O agricultor Satio Kayukawa, 61 anos, ainda escuta os ventos dessa história nas tradições da família, que chegou a Apucarana em 1936. ''As primeiras famílias que vieram para cá, queriam deixar alguma coisa para lembrar das origens e dos ancestrais no Japão'', lembrou Kayukawa, que é presidente da Acea.
A flor de um cor-de-rosa intenso impressionou Hatsuishi Kinoshita, ex-presidente do Departamento da Terceira Idade da Acea (Mutsumikai), durante uma visita a Campos do Jordão (SP). ''Como o nosso clima é semelhante ao daquela cidade, Kinoshita achou que a planta se adaptaria em Apucarana. O sonho dele se tornou realidade'', contou Kayukawa.
O vento soprou sobre as aspirações dos pioneiros, que criaram até uma festa anual para esperar pela florada das cerejeiras, realizada na última semana de junho, até chegar a atual administração municipal, que através de um Plano Diretor de Arborização pretende plantar nos próximos anos 25 mil mudas da árvore. Atualmente, Apucarana já tem 12 mil cerejeiras plantadas, sendo que 3 mil mudas devem ser plantadas nos próximos dias.
''Apucarana é conhecida como a Capital Nacional do Boné, Cidade Educação e Cidade Alta. Queremos que seja conhecida também como Cidade Cor-de-Rosa por causa das cerejeiras, incentivando ainda mais o turismo na região'', afirmou o prefeito Valter Pegorer.
No Paço Municipal, nas ruas, praças e nos parques apucaranenses, as cerejeiras despertam a atenção dos moradores e visitantes, apesar do clima não ter proporcionado uma explosão maior da florada, que geralmente acontece em junho.
''É preciso que chova de fevereiro a março para que a cerejeira floresça. A falta de chuvas fez com que eclodisse com um mês de atraso'', explicou Kayukawa, lembrando que as árvores da região são do sul do Japão, considerada quase tropical. Segundo ele, as flores do Japão central e norte têm pétalas maiores e cores mais claras. ''A nossa cerejeira é mais bonita e chama mais a atenção'', avaliou o agricultor.


