A sensação de segurança aumentou no bairro Jardim Colúmbia, na zona oeste de Londrina, depois da implantação do projeto-piloto "Bolo de Fubá". Desenvolvido pela 3º Companhia da Polícia Militar, a iniciativa pretende aproximar a corporação da comunidade com a figura do policial comunitário.
A intenção do projeto é que as equipes que atuam no bairro criem um vínculo com os moradores, conheçam suas rotinas e assim possam atuar de forma mais efetiva na repressão ao crime. O comando da PM também quer que a comunidade conheça mais os policiais, para terem confiança de relatar situações suspeitas.
Um dos primeiros moradores do bairro, José Rodrigues dos Santos Filho, de 53 anos, autônomo, contou que desde 2010, quando a região teve um boom imobiliário com o programa Minha Casa, Minha Vida, aumentaram os assaltos a residências e pessoas.
"Os moradores tinham medo de deixar as casas sozinhas para trabalhar. Agora quando a gente vê um carro ou movimento suspeito já avisamos a polícia pelo WhatsApp e estamos falando para todo mundo também fazer denúncias", disse.
Ele participou ontem, no 5ºBatalhão da Polícia Militar (BPM), de uma reunião para avaliar os três primeiros meses do projeto. De acordo com a PM, em 2014 nenhuma apreensão de drogas foi efetuada no bairro. Este ano, desde que o projeto começou, já foram cinco apreensões. A atuação da polícia também está mais rápida. Dois grupos do aplicativo de troca de mensagens WhatsApp foram criados para que os moradores possam denunciar atitudes suspeitas e avisar de ocorrências.
Na semana passada, por exemplo, uma criança de 4 anos sumiu de casa. Os moradores postaram a informação no grupo e rapidamente a dupla da PM que fazia a ronda localizou a criança a poucas quadras de casa. "Para nós, o mais importante é saber que a polícia está reprimindo os marginais. O policiamento tem tranquilizado a população", afirmou Santos.
Os moradores sugeriram a implantação câmeras de monitoramento nas ruas. Segundo o oficial de Planejamento do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) e comandante da 3ª Companhia da PM, capitão Marcos Tordoro, as sugestões dos moradores podem ser o pontapé inicial para envolver outros órgãos, como a Companhia Municipal de Urbanização e Trânsito (CMTU) e a Guarda Municipal, nas ações.
A relação entre a comunidade e os PMs está ficando mais próxima. Eles dizem que é frequente os moradores oferecerem um café e baterem um papo com a dupla que está trabalhando no bairro. Os policiais que fazem parte do projeto foram voluntários. Eles participaram de um curso de promotores de Polícia Comunitária. "Hoje, o policial sai da academia com essa noção mais comunitária e os que estão participando abraçaram a causa", explicou a soldado Gláucia Danielle Faria.

ROTINA DO BAIRRO
Segundo a soldado Gláucia, aos poucos, eles estão conhecendo a rotina do bairro. "Se tem um portão aberto, por exemplo, paramos a viatura e vamos verificar", comentou. A viatura percorrendo as ruas dá uma maior sensação de segurança à costureira Maria Rita Teixeira Albino, de 69 anos. Ela mora no Jardim Colúmbia há 21 anos e já foi alvo de assaltantes quatro vezes. "Com a patrulha a gente se sente mais segura", disse.
Na última tentativa de assalto, um rapaz passou pelas grades do portão. "Acordei de madrugada com o barulho da grade, ele estava enroscado nela. Era um moleque. Na hora liguei para a vizinha da frente, que ligou para o outro e daí foi tudo mundo saindo para fora, avisamos a polícia e ele fugiu", contou.
O projeto "Bolo de Fubá" deve ser implantado em outros bairros de Londrina e em Tamarana e Jataizinho, onde o crescimento do tráfico de drogas vem preocupando a PM. Segundo o comandante do 5º BPM, major José Luiz de Oliveira, o projeto ainda não se expandiu por falta de efetivo. "O policiamento ainda está lá na PEL (Penitenciária Estadual de Londrina) 2, mas a situação está sob controle e em pouco tempo teremos mais efetivo para outras ações", explicou comandante. Os policiais estão na unidade desde outubro, quando houve uma rebelião que destruiu o prédio.

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