Saem a estruturação lógica, os conceitos simbólicos e abstratos e os livros didáticos extremamente técnicos; entram a resolução de problemas, a investigação, a modelagem a partir de dados reais, o uso de tecnologias e o entendimento da Matemática nas diferentes culturas. De acordo com a professora Márcia Cyrino, do Departamento de Matemática da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e coordenadora do programa de pós-graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática, esses são os parâmetros mais atuais para ensino da disciplina.
''Muitas pesquisas foram desenvolvidas, a partir da década de 80, para investigar porque a Matemática era causa de tanta evasão e repetência'', afirmou. As propostas atuais, segundo ela, visam proporcionar aos alunos a possibilidade de atribuir significados aos objetos matemáticos, o que se obtém através da aproximação com o cotidiano e a utilização de materiais manipuláveis.
''O problema é sair de um extremo e cair em outro. A matemática tem que retratar o cotidiano, mas também deve ser olhada como ciência. A partir de um certo nível de conhecimento dos alunos, os conceitos precisam ser formalizados. Trata-se de uma ciência com regras e linguagens próprias que devem ser consideradas'', acrescentou.
Conseguir o equilíbrio entre essas duas vertentes é o ''pulo do gato'' para que a matéria deixe de ser a grande vilã dos boletins escolares. Para isso, é preciso investir na capacitação dos professores, que também demandam mais condições para trabalhar com a matemática significativa. ''Não podemos culpar apenas os professores, sem oferecer mais oportunidades para estudarem e investigarem a própria prática docente.''
A desvalorização da profissão, aliás, é evidente na concorrência para conseguir uma vaga no curso de Matemática da UEL. ''A procura é baixa na maioria das licenciaturas. Há risco de, no futuro, faltarem professores.'' (C.A.)

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