Um trabalho árduo, que exige conhecimento e sangue frio, muitas vezes discriminado, mas de fundamental importância. Essas são algumas das características da profissão de coveiro. Três pessoas debutaram ontem no ofício, após serem aprovados no concurso realizado pela Autarquia de Serviços Especiais de Londrina (Acesf), que contou com a participação de mais de 15 mil candidatos. Outros aprovados iniciaram o trabalho como preparador de cadáver, motorista funerário e florista.
Após passarem pela prova teórica, os novos coveiros fizeram um teste prático, em que tiveram uma prévia do que fariam dentro do cemitério. Mas somente ontem eles, literalmente, sentiram na pele as mazelas da profissão, como o surgimento de bolhas nas mãos e o cansaço. Para Celso Rodrigues Kenaip, 35 anos, a maior dificuldade no primeiro dia de trabalho foi a falta de preparo físico, fator preponderante para quem passa o dia fazendo covas. Para evitar lesões nas mãos, ele usou luvas. ''É um trabalho difícil'', comentou.
Kenaip contou que decidiu trocar o trabalho na lavanderia de um hospital pela de coveiro, por causa do salário, em torno de R$ 600, e por considerar a outra função mais complicada. Ele completou que já havia atuado como auxiliar de pedreiro, o que está facilitando na execução na nova profissão, apesar da aparente falta de prática. Medo ele garantiu que nunca teve. ''Aos poucos a gente se acostuma'', emendou.
O ex-operador de máquinas Ademildo Rodrigues Garcia, 27 anos, afirmou que, além do salário melhor, a estabilidade encontrada no serviço público lhe atraiu ao concurso, mesmo considerando difícil ser aprovado. Por também já ter trabalhado na construção civil, ele considerou a prova teórica a mais difícil. Ao contrário do parceiro, para Garcia o mais difícil na profissão é trabalhar sob um sol escaldante, como o registrado na maior parte do dia de ontem.
Trabalhando há 18 anos como coveiro, José Aparecido Paulino, 52 anos, acompanhou os novos contratados e deu algumas dicas. Ele disse que o conhecimento virá com o trabalho diário.
O superintendente da Acesf, Wilson Battini, lembrou que o último concurso do órgão foi feito há quase dez anos, por isso havia muito serviço para poucos funcionários. Ele explicou que os novos contratados para a função de coveiro também farão o serviço de manutenção dos cemitérios. Sobre os aprovados para a função de assistente administrativo, Battini esclareceu que eles estão sendo chamados de acordo com a necessidade da autarquia.

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