As principais lideranças e entidades organizadas de Campo Mourão devem iniciar nos próximos dias um trabalho de pressão sobre o governador Jaime Lerner (PFL) para que ele sancione o projeto de lei que prevê a transformação da Faculdade Estadual de Ciências e Letras (Fecilcam) em universidade. O projeto foi aprovado anteontem pela Assembléia Legislativa em terceira e última votação e agora será encaminhado para o governador.
A aprovação pela Assembléia mereceu comemorações anteontem à noite na Fecilcam, com direito a estouro de foguetes e discursos da direção da instituição e do prefeito Tauillo Tezelli (PPS). O projeto estava na Assembléia desde o final de julho de 99. Ele havia sido apresentado pelo então presidente da casa, Aníbal Khury, que morreu pouco mais de um mês depois. O projeto, no entanto, apenas autoriza o governo a criar a universidade de Campo Mourão.
‘‘Na verdade, o governador não precisava dessa autorização’’, admitiu ontem o prefeito Tauillo Tezelli. Mesmo assim, Tezelli promete empenho para mobilizar a região e pressionar o governador. ‘‘A criação da universidade é uma questão de justiça em relação à contribuição que a região de Campo Mourão dá ao Paraná em todos os setores’’, disse. ‘‘Agora é a hora do governador Jaime Lerner mostrar o seu compromisso com Campo Mourão e região.’’
A diretora da Fecilcam, Sinclair Pozza Casemiro, acredita que o mais difícil era a aprovação na Assembléia. ‘‘Não acredito que o governador vá vetar a proposta porque ele já apoiou a nossa luta quando visitou a faculdade, em 1998’’, frisa a diretora. Sinclair diz, porém, que o projeto andou devagar após a morte de Khury. ‘‘Nenhum outro deputado queria assumir a proposta’’, lembra.
Coincidentemente, o projeto foi à votação no período em que o suplente de deputado estadual Nélson Tureck (PFL), que é de Campo Mourão, assumiu uma vaga na Assembléia. Tureck ficou pouco mais de um mês na função e entregou o cargo após participar da terceira e última votação do projeto. A proposta já dá nome à nova instituição – Universidade Estadual da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Unescam) – e um prazo de um ano para que o governo do Estado viabilize sua implantação.
A transformação da faculdade em universidade já tem uma conquista favorável ao governo. No início da semana, uma reunião entre professores e funcionários da instituição descartou a adesão à greve estadual sob o pretexto de que o movimento poderia atrapalhar o trabalho pela criação da Unescam.
O presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Osmar Santana de Alencar, não gostou da decisão. ‘‘Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Para conquistar a Unescam, o que precisa é a mobilização de todas as lideranças da região’’, disse. Na semana passada, os professores da Fecilcam mantiveram a faculdade em ‘‘estado de greve’’ e praticamente não houve aulas. Os estudantes preparam um abaixo-assinado pedindo autonomia ‘‘de verdade’’ à faculdade.

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