Foi aprovado ontem na Câmara Municipal, em primeira discussão, o projeto de lei que dispõe sobre atividades de redução de danos entre usuários de drogas visando reduzir a transmissão de doenças e da Síndrome de Imunodeficiência Adquirida Aids.

Polêmico, por ser compreendido como um programa que visaria unicamente a distribuição de seringas e preservativos, o projeto foi aprovado com 13 votos favoráveis, um contra do vereador Paulo Arildo e três abstenções Luiz Carlos Tamarozzi, Sidney de Souza e Orlando Bonilha.

Antes de entrar em discussão, o projeto foi defendido em plenário pelo secretário municipal de Saúde, Silvio Fernandes. Ele salientou a importância de desmitificar a idéia de que a política de redução de danos consiste apenas na distribuição de seringas indiscriminadamente.

''O programa possui diversas estratégias que têm como principal objetivo a redução do uso de drogas. Só nos casos em que a pessoa está num estágio em que não consegue parar com esta prática é que é entregue seringa, evitando que se compartilhe seringas'', explicou.

O secretário apresentou resultados de outros municípios do país que já implantaram o programa. Em Salvador, por exemplo, o uso de drogas injetáveis era responsável por 50% dos casos de Aids. Com a implantação da política de redução de danos, o índice caiu para 10%. Hoje em Londrina, o uso de drogas injetáveis é responsável por 27% dos casos. São registrados na cidade 436 casos em que a doença já se manifestou e 646 de pessoas que têm o vírus HIV. Outro dado da Secretaria de Saúde é de que 50 crianças atualmente são acompanhadas.

Em Londrina, a Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia) já desenvolve o programa de redução de danos. O funcionamento desta política se dá através de agentes redutores que atuam na comunidade e tentam resgatar a confiança dos usários de drogas e encaminhá-los para tratamentos de recuperação. O projeto entra em segunda discussão na Câmara, amanhã.

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