Aprovado no Cefet, técnico tenta contratação há 6 anos
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sexta-feira, 03 de novembro de 2000
Silvana Leão De Londrina 
O desafio de prestar um concurso público nem sempre termina com a aprovação. Em muitos casos, conseguir assinar a contratação transforma-se em outra dor de cabeça. O técnico mecânico Luiz Hiroshi Miyahira, 67 anos, de Londrina, sabe bem o que é isso. Em 1994, ele prestou concurso para ingressar no quadro de professores da unidade de Cornélio Procópio do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet). No ano seguinte, ainda à espera da contratação, resolveu entrar com processo contra o órgão federal. Seis anos depois, a situação continua a mesma.
Com a experiência de quem trabalhou durante 20 anos em grandes indústrias automobilísticas de São Paulo, ele garante que são raros os profissionais realmente habilitados nesta área. Na época do concurso, foi o único a ser aprovado. Eu tenho grande vivência, procuro me atualizar, mas não estão me deixando aproveitar isso tudo. No meu lugar estão profissionais menos capacitados, que não têm experiência técnica, critica.
Na opinião de Miyahira, a contratação de pessoas não habilitadas para trabalhar com educação faz parte da política do governo, de tornar a população cada vez mais ignorante. Não podemos aceitar isso, diz. Na época da aprovação do concurso, ele tinha 62 anos e acha que pode ter sofrido discriminação pela idade.
Em todos esses anos, o técnico mecânico nunca desistiu de lutar por sua contratação e até pedido de providências ao presidente da República ele enviou. A correspondência foi encaminhada ao Ministério da Educação (MEC). Na última quarta-feira, Miyahira reuniu-se com o atual diretor do Cefet de Cornélio Procópio, Eurico Pedroso de Almeida Junior, e ouviu dele que o MEC deu parecer contrário à sua contratação.
Segundo Almeida, houve demora para ser autorizada a contratação de Miyahira e, neste tempo, retornou à instituição o professor titular da disciplina, que estava licenciado para curso de capacitação. Este professor retornou antes do previsto e não houve mais necessidade de realizar a contratação, disse o diretor. O mais recente parecer do MEC sobre o caso foi emitido no mês passado, e diz que é improcedente a solicitação de contratação.
Ainda de acordo com Almeida, o processo chegou à última instância na esfera administrativa. Agora, só resta a Miyahira recorrer à área cível.


