Não se pode afirmar que é regra mas também não dá para garantir que tenha sido um caso único. Um aluno do 1º ano de Filosofia do período noturno da UEL confessou que mesmo tendo assistido menos da metade das aulas foi aprovado sem dificuldades em uma disciplina do primeiro semestre.
Sem se identificar, o futuro filósofo opinou que essas situações ocorrem porque os professores universitários têm mais autonomia do que os de ensinos fundamental e médio. Por outro lado, os estudantes universitários também se sentem mais autônomos. ''Acho que a própria relação professor-aluno gera todas estas situações'', cogitou. Mesmo assim, ele reclamou que um de seus professores do 1º semestre demonstrou pouquíssimo interesse nas aulas. ''Ele demorava muito tempo para chegar. Quando aparecia, ficava quinze minutos em sala e ia embora'', criticou. O estudante continuou dizendo que ''outro professor, mais arrogante, não deu provas e distribuiu notas aleatórias no único trabalho realizado pela turma''.
No primeiro ano de Economia, Osmar Hiroki, 22 anos, se espantou quando deixou a rotina de anos em escolas particulares para ocupar uma cadeira em uma instituição pública de ensino. ''Além da falta de professores, muitos não estão motivados a darem aulas. Numa universidade pública, teoricamente, onde estudam os melhores alunos, têm professores ótimos, que dão aulas com prazer, outros mais ou menos e têm alguns que simplesmente não dão aula'', analisou.
Já os terceiranistas de Letras ficaram sem aulas de Didática por mais de um bimestre porque não havia professor. ''No ano passado, o conteúdo de Linguística, uma matéria anual, foi dado em apenas quatro meses. E para conseguir, tivemos que protestar'', citou uma aluna. O mesmo teria acontecido no curso de Biblioteconomia, no ano passado, quando os alunos do 2º ano tiveram em novembro uma disciplina que deveria ter começado em agosto. Neste semestre, problema semelhante estaria afetando o terceiro ano de Direito noturno. (L.A.)

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