Em uma sessão tumultuada e marcada pela convergência de um único assunto, a Câmara de Vereadores de Londrina aprovou ontem, depois de quatro horas de discussão, projeto de iniciativa do Executivo que doa uma área de quase 9,3 mil m2, no Vale do Reno (Zona Sul), à Fundação Galvão Bueno. A exemplo do que ocorreu em dezembro, quando o projeto foi retirado de pauta, outras entidades beneficentes voltaram a questionar o processo de cessão de áreas no município.
O terreno, avaliado oficialmente em R$ 489 mil, vai abrigar um centro de convivência para idosos e um ambulatório. Futuramente, a fundação planeja implantar um hospital especializado.
A entidade foi criada em outubro de 2003 e declarada de utilidade pública em dezembro, apesar de não ter um ano de funcionamento conforme exigência da lei municipal 9.015/02. A polêmica se instaurou após entidades que estão na lista de espera por uma área questionarem a a rapidez com que o processo correu.
Representantes da Associação dos Pais e Amigos dos Portadores de Síndrome de Dow (APS Dow) e da ONG Viver, que atende crianças com câncer, ocuparam a mesa executiva para debater o projeto. ''Não sou contra a fundação nem o hospital, mas se existe uma lei, ela existe para todos'', afirmou a presidente da Viver, Carla Victorelli.
O vereador Sidney de Souza (PTB), o principal articulador do projeto, descartou a possibilidade de favorecimento. ''Primamos pelo interesse público, essas são pessoas idôneas que tiveram indicações de outras entidades'', disse, referindo-se à concessão do título.
Membros da Fundação Galvão Bueno também participaram do debate e detalharam como será a implantação do ambulatório e hospital, que não constam no projeto enviado para votação. ''A primeira fase do projeto é construir um centro de convivência onde os idosos tenham atividades durante o dia e um centro de diagnóstico ambulatorial. Na segunda etapa, sonhamos com o hospital'', afirmou o vice-presidente da entidade, o médico Luiz Carlos Miguita. Segundo ele, a primeira fase deve ser concluída em um ano mas não há prazos para o hospital.
O projeto foi aprovado por 15 votos. ''Tenho dúvidas se esse terreno é o melhor local para se construir um hospital'', justificou o vereador Rubens Canizares (PHS), que votou contrário, após ter negada a sugestão de enviar o projeto ao Conselho do Idoso para análise. Carlos Bordin (PP), Henrique Barros (PMDB) e Luiz Tamarozzi (PTB) também votaram contra.

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