Aos 16 anos, Willian Carlos Ferreira Bertin já tem uma poupança. Está guardando dinheiro para investir em uma faculdade de Administração. O dinheiro que guarda no banco é fruto de seu trabalho como assistente administrativo no Banco do Brasil. Mas como, se ele ainda é menor?
O garoto, morador da Zona Leste de Londrina, é um dos beneficiados da Lei 10.097 de 2000, a Lei do Menor Aprendiz, que permite a jovens com idade entre 14 e 18 anos trabalharem, desde que na condição de aprendizes e obedecendo a algumas regras, como não abandonar os estudos.
''Depois que comecei no banco, me tornei mais responsável, amadureci, aprendi muitas coisas, fiz amizades e comecei a ajudar em casa. Não sou mais um moleque como era antes. Meus próximos objetivos são a faculdade e uma aprovação em um concurso do Banco do Brasil'', comenta, feliz, o garoto que trabalha quatro horas no período da tarde e de manhã cursa o segundo ano do ensino médio, de segunda a sexta. Aos sábados, ele tem um compromisso especial: comparecer às instruções do Núcleo Espírita Irmã Scheilla (Neis), uma obrigação para manter o emprego.
O Neis funciona na confluência dos Jardins Marabá e Santa Fé, marcados pela pobreza, e é um ''santo remédio'' para os adolescentes da região em um tempo em que criminalidade - principalmente o tráfico de drogas - trabalha para fisgá-los. Por meio do Projeto Jovem Aprendiz, a instituição encaminha meninos e meninas para a oportunidade de trabalho-aprendizagem. A Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel) e a Guarda Mirim desenvolvem trabalho semelhante na cidade.
O problema é que há uma limitação desse serviço que poderia encaminhar mais jovens devido a dois fatores: não são todas as empresas que empregam e matriculam em cursos profissionalizantes o equivalente a pelo menos 5% do número de trabalhadores cujas funções demandem formação profissional e faltam recursos para oferecer mais vagas - 65 atualmente - para o Jovem Aprendiz.
''Fazemos uma qualificação de pelo menos seis meses, oferecendo disciplinas como ética no trabalho, noções de administração, cidadania e relacionamento interpessoal. Depois, avaliamos a possibilidade de o aluno ir para o mercado de trabalho. Atualmente, temos 62 que estão trabalhando. Obrigatoriamente eles devem continuar estudando. O contrato é de no máximo dois anos e o aprendiz não pode ser maior de 18 anos'', explica Magali Batista de Almeida, coordenadora do Neis.
''Não conseguimos atender a todos que nos procuram, pois não temos capacidade financeira para tal. A prefeitura colabora com R$ 3 mil por mês. Dependemos de doações para conseguirmos bancar o projeto. Seria bom se pudéssemos atender mais gente'', afirma Magali.
Para conseguir uma vaga no projeto, o adolescente tem de fazer uma ficha de inscrição e comprovar que a renda familiar per capita não ultrapassa o valor de meio salário mínimo. ''Seria muito bom se pudéssemos contar com as empresas para ampliar o projeto. O que oferecemos a esses jovens não é material, mas um aprendizado que possibilita uma mudança de vida'', destaca Luiz Cláudio Assis Pereira, presidente do Núcleo Espírita.

Serviço - Mais informações sobre como participar ou colaborar com o Neis por meio do telefone 43 3325-1334.

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