Bolas de gude, garrafas pet, capas de CD, potes de iogurte. Com esses e outros materiais e muita criatividade dos professores, alunos de centros de educação infantil e escolas municipais de Londrina estão aprendendo matemática, português, história, ciências e muito mais, de forma integrada.
O resultado de tanta inovação foi apresentado ontem na I Mostra de Saberes e Fazeres da Ação Docente, no Ginásio de Esportes Moringão. Durante todo o dia professores e alunos de 50 escolas demonstraram aos visitantes como os conteúdos escolares podem ser divertidos.
Na Escola Municipal David Dequech, no Jardim Ouro Verde (Zona Norte), os alunos aprenderam que pescar pode ir muito além de fisgar o peixe. Usando material EVA, papel e canudos de refrigerante, as crianças fizeram pequenos peixes com números no verso. Depois de ''pescar'' usando o canudinho, eles somam o número de pontos e descobrem o vencedor.
Rafael Augusto Xavier, de 7 anos, conta que aprendeu a somar com os peixinhos. O jogo de bolinhas de gude também conquistou o pequeno e a amiga Julya Francisco Quirino, de 6 anos, que elegeu o boliche como atividade preferida, em que as garrafas também são numeradas, ajudando a ensinar a somar.
Na Escola Municipal Rural Padre Anchieta, no Patrimônio Heimtal (Zona Norte), além de diversos jogos, os professores também usaram a culinária para ensinar diversos conceitos, como quantidades e os cinco sentidos. Elias Vilas Boas, supervisor da escola conta que o projeto começou envolvendo dois professores e agora são sete. ''Os professores podem achar difícil dar aulas assim, mas depois descobrem que as atividades transmitem diversos conceitos e facilitam a aprendizagem. Os alunos melhoraram a disciplina e também a leitura'', exemplifica.
No Jardim Universitário (Zona Oeste), alunos da Escola Municipal Ruth Ferreira de Souza que na terceira série do Ensino Fundamental tinham dificuldades em ler e escrever estão terminando o ano letivo completamente alfabetizadas. A professora Márcia Donato Felicidade destaca que havia também muito problema de indisciplina e através de jogos diversos conseguiu ensinar conceitos de diferentes áreas, além de tornar as crianças mais tranquilas. ''Nós crescemos, eu enquanto educadora e eles enquanto educandos. O professor precisa se dispor a aprender para poder ajudar os alunos. Eles agora têm mais consciência de que são importantes e são alguém'', afirma.
Integração
Regina Aparecida de Oliveira, assessora pedagógica de matemática da rede municipal de ensino explica que o grande objetivo do trabalho é mostrar que é possível aprender de forma integrada. ''O ensino pode vir de brincadeiras, os alunos se envolvem bem, mesmo nas turmas mais difíceis e numerosas'', garante. ''Outra intenção é quebrar o paradigma de que matemática reprova, de que é difícil e que exclui.''
Não só a partir da matemática foram desenvolvidos trabalhos. Os projetos Empreendedorismo, Palavras Andantes, Feiras Culturais e o curso de Tecnologia Aplicada à Educação também desenvolveram diversas atividades. Na Escola Municipal Maria Cândida Peixoto Salles, no Jardim Santa Fé (Zona Leste), os alunos fizeram livros nas aulas de informática, produzindo texto e ilustrações.

Confira mais imagens da brincadeira:

Aprender pode ser divertido
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